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Guia de cuidados com as unhas depois dos 65: como evitar infeções nos dedos das mãos e dos pés

Mãos envelhecidas a cuidar das unhas com toalha, lupa, algodão, óleo e água numa mesa de madeira.

Um retalho de sol a atravessar o linóleo, uma pilha de revistas do ano passado, o guincho discreto de uns sapatos ortopédicos. Depois repara nas mãos. Unhas engrossadas, pontas amareladas, pequenos cortes à volta das cutículas. Há quem se remexa na cadeira, escondendo os dedos nas mangas, ou encolhendo os pés dentro das meias. Ninguém fala muito sobre o assunto e, no entanto, metade da sala está ali pelo mesmo motivo: uma pequena infeção que começou “depois de um corte rápido em casa”.

O perigo escondido nas pontas dos dedos das mãos e dos pés

Depois dos 65, tratar das unhas deixa de ser sobretudo uma questão estética e passa a ser uma questão de saúde. O problema é que os hábitos que resultavam quando o corpo era mais “tolerante” nem sempre acompanham bem o envelhecimento. Já não se dobra com a mesma facilidade, a visão não é a mesma, a pele está mais fina. A tesoura parece mais pesada na mão. E, de repente, aquele corte rápido de unhas ao domingo à noite pode transformar-se numa feridinha que não quer cicatrizar.

Quase toda a gente conhece esse impulso: sente uma ponta de unha a prender na meia e decide “resolver já”. Um corte apressado, uma esquina demasiado curta, um bocadinho de pele que vai junto com a unha. Depois vem o ardor, uma vermelhidão discreta, um inchaço ligeiro que promete a si próprio que desaparece até de manhã. Muitas vezes desaparece. Depois dos 65, por vezes não. É assim que os problemas começam, sem alarme.

E quando se olha para os números, deixa de parecer um caso isolado. As infeções nos dedos dos pés e nos pés estão entre os motivos mais frequentes que levam pessoas mais velhas ao médico ou ao podologista. Podem começar por algo tão banal como uma unha encravada ou um pequeno corte junto a uma unha da mão. Com a idade, a circulação abranda, o sistema imunitário perde alguma capacidade e certas doenças - como a diabetes - tornam a cicatrização mais difícil. O que antes era um simples “arranhão” passa a ser uma porta aberta a bactérias ou fungos. A armadilha é que, no início, estas infeções tendem a doer menos, e por isso são detetadas mais tarde.

Pequenos gestos que mudam mesmo tudo

O primeiro gesto de proteção é quase enganador de tão simples: alterar a forma como corta as unhas. As regras não são iguais para mãos e pés. As unhas das mãos podem ficar ligeiramente arredondadas. Já as unhas dos pés devem ser cortadas a direito, nunca em curva, deixando os cantos visíveis. Só isto reduz bastante a probabilidade de unhas encravadas - aqueles pontos dolorosos que se enterram na pele e convidam a infeção.

Outra mudança silenciosa é abrandar o ritmo. Esqueça cortar unhas de pé, em pé na casa de banho, com uma perna no ar. Sente-se à mesa, com boa luz, e coloque os pés num banco ou numa cadeira. Use um corta-unhas ou uma tesoura com cabo maior, não as ferramentas minúsculas de um kit de viagem. Depois dos 65, tratar das unhas passa a ser uma pequena operação que merece preparação, em vez de uma tarefa apressada antes de deitar.

E há ainda o que vem depois do corte. Passe por água ou limpe as unhas para remover pequenos fragmentos. Lixe com suavidade para evitar arestas que se prendem nas meias ou nos lençóis. Seque bem entre os dedos dos pés, onde a humidade fica retida e favorece fungos. Um pouco de creme à volta das unhas ajuda a pele a manter-se macia e menos propensa a gretar. Estes passos parecem “picuinhas” no papel, mas evitam, discretamente, semanas de desconforto.

Os erros clássicos no cuidado das unhas que aumentam o risco de infeção

Entre os deslizes mais comuns, o primeiro é cortar as unhas demasiado curtas. Aquele reflexo de “vou cortar um bocadinho mais para durar mais tempo” cria um ponto de entrada perfeito para microrganismos. Unhas muito curtas expõem a zona sensível por baixo, irritam a pele e podem causar microfissuras que nem chegam a ser vistas. Depois, as meias roçam, os sapatos apertam e a fricção faz o resto.

O segundo erro é “escavar” os cantos - sobretudo no dedo grande do pé. Há quem tente limpar tudo por baixo da unha com instrumentos pontiagudos, utensílios metálicos ou até a ponta de uma lima. Esse trabalho em túnel fere a pele e empurra a unha a crescer na direção errada. Muitas vezes só se percebe quando aparece a vermelhidão e andar começa a custar. Nessa altura, as bactérias já costumam estar instaladas.

E sejamos francos: quase ninguém desinfeta as ferramentas de unhas todos os dias. Só que, depois dos 65, esse passo ignorado pesa mais. Corta-unhas antigos, tesouras com ferrugem, limas partilhadas entre companheiros ou netos - tudo isso transporta o seu próprio microcosmo. Há quem guarde os mesmos instrumentos durante vinte anos e nunca os lave. Um pouco de sabonete e água quente já reduz grande parte do risco. Um toque de álcool de vez em quando chega para transformar um corta-unhas velho num aliado bem mais seguro.

Aprender a ouvir as suas unhas, dia após dia

Para lá do gesto físico, há também uma forma de olhar para mãos e pés. A partir de certa idade, as unhas tornam-se uma espécie de registo discreto da saúde. Engrossam, crescem mais devagar, mudam de cor. Em vez de as esconder, reserve uma vez por semana um minuto calmo para observar: surgiram riscos novos? Há uma unha mais amarela do que as outras? Algum canto está vermelho ou mais quente ao toque?

Essa verificação semanal pode ser feita depois do banho, sentado na beira da cama, com uma toalha no colo. São poucos minutos. Para algumas pessoas, o mais difícil nem é olhar - é aceitar pedir ajuda. Ancas rígidas, dores nas costas, visão fraca… por vezes, fazer este cuidado sozinho deixa de ser realista. Isso não é falhar; é apenas uma nova fase. Chamar um podologista, um enfermeiro ou um familiar de confiança não é ser “dependente”; é evitar complicações que podem acabar no hospital.

Alguns profissionais resumem isto com uma clareza desarmante:

“A maioria das infeções graves nos pés que trato em pessoas mais velhas começou com um pequeno problema de unha, negligenciado. Não é negligência por preguiça. São pessoas que já dobram menos, veem menos, ou simplesmente não se apercebem de que as unhas não envelhecem ao mesmo ritmo que o resto do corpo.”

Para consolidar hábitos mais seguros, vale a pena imprimir e deixar na casa de banho algumas regras simples:

  • Corte as unhas dos pés a direito, sem escavar os cantos.
  • Deixe uma pequena margem branca em vez de cortar até à pele.
  • Limpe e seque os utensílios após usar, e substitua-os quando estiverem rombos ou enferrujados.
  • Seque entre os dedos dos pés todos os dias, especialmente depois do duche.
  • Procure um profissional se uma unha mudar de forma, de cor, ou se ficar dolorosa.

Tratar das unhas como um gesto silencioso de respeito por si

Por trás destes gestos, que parecem quase insignificantes, existe uma questão mais funda: como cuidamos de um corpo que está a mudar, devagar mas de forma inevitável? As unhas das mãos e dos pés não “gritam” como um joelho dorido ou uma tosse persistente. Sussurram. Uma vermelhidão aqui, uma unha que engrossa ali, um sapato que, de repente, parece apertar. Dar atenção a esses sussurros é uma forma de dizer: “Estou aqui, continuo atento.”

Algumas pessoas mais velhas falam deste ritual com uma ternura inesperada. Um homem na casa dos setenta contou que aproveita o momento de tratar das unhas para fazer o balanço da semana. Uma mulher na casa dos oitenta disse que só começou a cortar as unhas sentada à mesa depois de um podologista lhe mostrar - e ainda hoje se pergunta por que razão ninguém a ensinou mais cedo. Estes microgestos não são vaidade; são pequenas âncoras de autonomia. Mesmo quando é outra pessoa a ajudar, decidir como e quando se faz mantém uma parte do controlo nas suas mãos.

Se leu isto e pensou num pai, numa vizinha ou em si, o tema deixa de ser teórico. Falamos de pés reais, mãos reais e infeções reais que podem levar a antibióticos e, por vezes, até a cirurgia. Mudar um hábito, comprar um corta-unhas novo ou marcar uma consulta de podologia pode parecer secundário face a doenças “a sério”. No entanto, a cadeia começa muitas vezes aqui: um corte minúsculo, um dedo inchado, dificuldade em andar, uma queda. Cuidar das unhas depois dos 65 não é um pormenor. É um desses atos quotidianos e discretos que protegem aquilo que ainda nos permite ficar de pé, caminhar, cozinhar, abraçar e viver.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
Técnica de corte mais segura Cortar as unhas dos pés a direito, deixar uma pequena margem, evitar escavar os cantos Reduz unhas encravadas e infeções associadas
Ferramentas e ambiente limpos Lavar e secar o corta-unhas, usar boa luz, sentar-se com conforto Diminui o risco de introduzir bactérias ou causar pequenas feridas invisíveis
Vigilância regular Observação visual semanal das unhas: cor, forma e sensibilidade Ajuda a detetar problemas cedo, antes de se tornarem infeções dolorosas ou graves

Perguntas frequentes:

  • Pergunta 1: Com que frequência se devem cortar as unhas depois dos 65? Normalmente, a cada 2 a 4 semanas é suficiente. Se as unhas crescerem muito devagar, uma vez por mês pode resultar, desde que as observe semanalmente.
  • Pergunta 2: Fazer pedicure num salão é arriscado quando se é mais velho? Depende da higiene, do seu estado de saúde (especialmente diabetes ou problemas de circulação) e de como os utensílios são manuseados. Espaços com abordagem médica ou de podologia tendem a ser mais seguros do que os puramente estéticos.
  • Pergunta 3: Quais são os primeiros sinais de infeção numa unha? Vermelhidão à volta da unha, calor ao toque, dor ao pressionar, inchaço ou secreção amarelada. Por vezes há também mau cheiro ou uma alteração visível na cor da unha.
  • Pergunta 4: Unhas grossas e duras podem ser uma parte normal do envelhecimento? Sim, as unhas muitas vezes engrossam com a idade, mas unhas muito duras, deformadas ou descoloradas também podem indicar fungos ou outro problema que vale a pena mostrar a um profissional.
  • Pergunta 5: Quando se deve procurar um médico ou podologista com urgência? Se um dedo do pé ou da mão ficar subitamente muito doloroso, muito vermelho, quente, ou se tiver febre, diabetes ou má circulação, não espere. Procure aconselhamento médico rapidamente.

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