O verão mal começou e milhões de pessoas estão sob avisos de calor, à medida que uma grande onda de calor se estende por vastas zonas do centro e do leste dos EUA em junho de 2025.
Para muita gente, esta é a estação preferida: tempo de grelhados, idas à praia e outras actividades ao ar livre. Mas o verão também traz um risco real de temperaturas perigosamente elevadas e de humidade intensa.
Nos EUA, todos os anos, centenas de pessoas que trabalham ou se divertem no exterior - mesmo aparentando boa saúde - acabam por sofrer doenças relacionadas com o calor. Os casos tendem a ser mais frequentes entre pessoas idosas e em regiões que, historicamente, não precisavam de ar condicionado. Chicago teve um exemplo marcante em 1995, quando uma onda de calor provocou pelo menos 700 mortes.
Mesmo onde o calor é reconhecido como uma ameaça séria para a saúde, é fácil ser apanhado de surpresa à medida que, em média, o termómetro sobe ano após ano. Por vezes, o perigo instala-se rapidamente. Em 2021, uma família jovem morreu de insolação (golpe de calor) num trilho na Califórnia depois de iniciar uma caminhada quando as temperaturas ainda estavam na casa dos 20 e poucos graus Celsius (equivalente a valores na ordem dos 70 °F).
Como professor de saúde pública, estudo riscos para a saúde num clima em aquecimento e tenho observado o calor tornar-se uma preocupação cada vez maior. Seguem-se alguns sinais de alerta importantes a ter em conta quando as temperaturas sobem - e medidas práticas para manter o corpo fresco quando o calor e a humidade se tornam excessivos.
Sinais de doença relacionada com o calor a que deve estar atento
As doenças relacionadas com o calor formam um contínuo: um stress térmico ligeiro pode evoluir depressa para um golpe de calor potencialmente fatal se a exposição a condições perigosas se prolongar.
As manifestações mais leves incluem cãibras de calor e erupção cutânea por calor (miliária), ambas muitas vezes associadas a transpiração intensa em ambientes quentes. Arrefecer o corpo e beber líquidos frescos pode ajudar.
Quando a situação progride para exaustão pelo calor, a gravidade aumenta. A exaustão pelo calor pode envolver sintomas como tonturas, náuseas, transpiração excessiva, sensação de fraqueza, sede e dores de cabeça.
A exaustão pelo calor é um sinal de que o organismo está a perder a capacidade de manter estável a sua temperatura central. Para evitar que evolua para a forma mais perigosa - o golpe de calor - recomenda-se agir de imediato: deslocar-se para um local fresco (idealmente com ar condicionado), beber líquidos, desapertar a roupa e aplicar panos húmidos e frescos.
O golpe de calor é uma emergência médica. Nesta fase, o corpo já não consegue estabilizar a temperatura central. A temperatura corporal pode subir rapidamente para cerca de 41,1 °C (106 °F) ou mais, e esse calor pode danificar depressa o cérebro, o coração e os rins.
Em geral, quem está em golpe de calor já esgotou as reservas de suor e de sal usadas para arrefecer o organismo, pelo que a transpiração acaba por cessar. As capacidades cognitivas deterioram-se e a pessoa pode não conseguir afastar-se do perigo. À medida que a temperatura central aumenta, podem surgir convulsões ou coma. Se não houver tratamento imediato e a temperatura continuar a subir, o golpe de calor torna-se fatal.
Dado que a exaustão pelo calor pode evoluir para golpe de calor, é essencial intervir cedo nas doenças relacionadas com o calor, antes de agravarem.
Como perceber quando o calor está demasiado elevado
O risco não depende apenas da temperatura: a humidade também agrava a probabilidade de doença relacionada com o calor, porque afecta a eficácia do suor em arrefecer o corpo humano quando está calor.
Em vez de olhar apenas para a temperatura ao planear actividades ao ar livre, verifique o índice de calor, que combina a temperatura e a humidade relativa para estimar o risco de doença por calor.
Não são necessárias temperaturas ou humidades extremas para que o índice de calor entre em níveis perigosos.
Ainda assim, o índice de calor tende a ser uma medida conservadora do impacto do calor nas pessoas, sobretudo em trabalhadores no exterior e em atletas durante treinos de verão. Isto porque as medições usadas nas previsões meteorológicas são feitas à sombra e sem exposição directa ao sol. Se alguém estiver ao ar livre e sob sol directo, o índice de calor real pode ser até cerca de 8,3 °C (15 °F) superior ao que as tabelas do índice de calor indicam.
Uma avaliação mais sofisticada dos efeitos do calor na saúde humana é a chamada temperatura de globo de bolbo húmido, que incorpora outras variáveis, como a velocidade do vento e a nebulosidade. No entanto, nenhuma destas métricas contempla o esforço físico da pessoa, que também eleva a temperatura corporal - seja num estaleiro de construção, seja a jogar futebol.
Dicas para se manter em segurança durante uma onda de calor
Como manter-se fresco quando chegam as ondas de calor? A resposta depende, em parte, do local onde está, mas as ideias essenciais são as mesmas:
- Evite esforço intenso ao ar livre quando as temperaturas são elevadas, sempre que possível. Se surgirem sintomas de doença relacionada com o calor, beba líquidos para se hidratar. Procure sombra, descanse e use panos frescos e húmidos para baixar a temperatura corporal. Se notar sinais de golpe de calor noutra pessoa, peça assistência médica.
- Tenha cuidado com ventoinhas. As ventoinhas podem ajudar quando a temperatura não é demasiado alta, porque removem o suor da pele e promovem arrefecimento por evaporação. Mas, com temperaturas muito elevadas, podem acelerar a acumulação de calor no corpo e criar condições perigosas. Se a temperatura interior atingir cerca de 35 °C (95 °F) ou mais, usar ventoinhas pode tornar-se perigoso e aumentar o risco de doença relacionada com o calor.
- Procure um centro de arrefecimento, uma biblioteca ou um centro comunitário, para entrar e descansar num espaço com ar condicionado nas horas mais quentes. Em locais como Phoenix, onde as temperaturas elevadas são um perigo recorrente, é comum abrir centros de arrefecimento no verão. Cidades mais a norte também os estão a disponibilizar, à medida que as ondas de calor aí se tornam mais frequentes do que no passado. As zonas urbanas com muito pavimento e edifícios - as chamadas ilhas de calor - podem registar temperaturas bem acima da média da cidade.
- Hidrate-se, hidrate-se, hidrate-se! Beba muitos líquidos e não desvalorize a importância dos electrólitos. A desidratação associada ao calor pode ocorrer quando se transpira em excesso, perdendo água e sais essenciais. Algumas bebidas desportivas ou soluções de reidratação ajudam a repor electrólitos e níveis de hidratação.
As pessoas idosas e as pessoas com deficiência enfrentam frequentemente riscos mais elevados durante ondas de calor, sobretudo se não conseguirem deslocar-se facilmente para um ambiente mais fresco. As comunidades e os vizinhos podem ajudar a proteger populações vulneráveis disponibilizando centros de arrefecimento e água engarrafada, além de fazerem verificações regulares do bem-estar durante períodos de calor intenso.
O verão pode ser uma época divertida. Ainda assim, lembre-se dos riscos, esteja atento a amigos e vizinhos quando as temperaturas sobem e planeie com antecedência para conseguir lidar melhor com o calor.
Brian Bossak, Professor de Saúde Pública, College of Charleston
Este artigo é republicado de The Conversation ao abrigo de uma licença Creative Commons.
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