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Ernest W. Baker leva o design português à 3.ª temporada de "Euphoria"

Costureiro ajusta vestido verde claro em modelo numa sala com várias roupas penduradas.

A 3.ª temporada de "Euphoria" estreia-se com novas personagens, um avanço temporal e um tom visual mais adulto. Entre as mudanças, há um elemento que se destaca em cena: o contributo da marca portuguesa Ernest W. Baker, que assina vários coordenados decisivos para o ritmo estético da narrativa.

Design português em Hollywood: Ernest W. Baker em "Euphoria"

Fundada por Reid Baker e Inês Amorim, a etiqueta volta a ganhar projeção internacional ao integrar o guarda-roupa de diferentes figuras desta temporada. A presença da marca é particularmente visível em looks que ajudam a definir a identidade de personagens e o ambiente geral da série.

O destaque foi também amplificado pelo Portugal Fashion, que assinalou nas redes sociais a participação da marca - apoiada pelo projeto - na conhecida produção.

Guarda-roupa de Alamo Brown e Maddy assinado pela Ernest W. Baker

Entre os visuais mais inesperados está o de Alamo Brown, interpretado por Adewale Akinnuoye-Agbaje. A personagem surge com uma abordagem western, onde entram botas de cowboy, camisas de rodeo e fatos com acabamento acetinado, concebidos para dialogar com a gramática visual de "Euphoria".

A Ernest W. Baker aparece ainda no guarda-roupa de Maddy, a personagem de Alexa Demie, que continua a afirmar-se como uma das grandes referências de estilo da série. Um dos instantes mais comentados mostra-a junto a uma piscina, envolta num casaco de pelo exuberante, num registo mais sofisticado e mais alinhado com o imaginário de Hollywood.

Do casting à produção: testes, 35 mm e trabalho à escala

No total, a Ernest W. Baker desenvolveu cerca de duas dezenas de visuais, distribuídos por vários episódios e personagens. Entre as peças, incluem-se coordenados usados por Dylan Reid, interpretado por Homer Gere, logo no episódio de estreia.

O trabalho começou ainda durante a fase de casting, com informação reduzida e sob acordos de confidencialidade particularmente apertados. Como a produção foi filmada em 35 mm, a equipa teve de realizar diversos testes para assegurar que tecidos, acabamentos e texturas correspondiam à estética pretendida por Sam Levinson.

Com os coordenados aprovados, surgiu outro obstáculo: a escala. Em poucos dias, foi necessário produzir várias cópias do mesmo visual para responder às exigências de uma rodagem intensa.

Moda e narrativa

A ligação com a stylist Natasha Newman-Thomas, responsável pelos figurinos desta temporada, voltou a ser determinante. Em entrevista à revista GQ, a profissional explicou que a integração de marcas contemporâneas foi crucial para construir os diferentes universos presentes na história.

Para os criadores, esta aproximação ao universo televisivo não é inédita. As coleções da marca recorrem muitas vezes a referências cinematográficas e partem da criação de personagens. "A moda é uma linguagem narrativa", explica Reid Baker em declarações à GQ.

Em "Euphoria", essa premissa ganha escala global e volta a colocar o design português no centro de uma narrativa onde cada detalhe contribui para revelar quem são estas personagens - e para onde estão a seguir.

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