Acusação da Fnam ao Governo sobre incentivos nas urgências
A Federação Nacional dos Médicos (Fnam) apontou, esta quinta-feira, ao Governo uma atitude de "falta de seriedade" nas negociações relativas aos incentivos a pagar nas urgências, defendendo que as propostas em cima da mesa não solucionam a situação e acabam por empurrar os médicos para a exaustão.
Reunião com o Ministério da Saúde e envio do documento
Em declarações à Lusa, Joana Bordalo e Sá, da Fnam, referiu que a federação esteve reunida, na terça-feira, com o Ministério da Saúde sem ter acesso prévio ao documento em causa, que só lhes foi remetido depois desse encontro.
Análise em curso e impacto no SNS
Segundo a dirigente, a Fnam continua a avaliar o conteúdo, mas deixa o aviso: "Sendo muito semelhante àquilo que já tinha sido publicado para 2024, nós já sabemos que não vai resolver o problema da falta de médicos no SNS [Serviço Nacional de Saúde], nomeadamente a nível hospitalar e da urgência".
O que prevê o diploma sobre horas extraordinárias
O diploma que segue esta quinta-feira para Conselho de Ministros, ao qual a Lusa teve acesso, estabelece que as horas extraordinárias dos médicos nas urgências que ultrapassem o limite legal anual podem corresponder a um incentivo entre 40% e 80% do salário base.
Para os médicos que desempenhem funções em entidades integradas no SNS, o regime determina que este montante seja apurado por blocos de 48 horas.
Comparação com 2024 e críticas às soluções propostas
Joana Bordalo e Sá recordou que, em 2024, foi divulgada uma medida semelhante, assente neste "pacote de bloco de horas", e que, apesar disso, "continuaram a encerrar serviços de urgência por todo o país".
A responsável reforçou o que, no seu entender, deveria ser priorizado: " O que deveria acontecer era dar condições de trabalho dignas, há toda uma panóplia de soluções que estão em cima da mesa neste momento, (...) e também [olhar para] a questão do salário base, porque aí não iam faltar médicos", afirmou.
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