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Met Gala: a "Arte do Traje" transforma a escadaria em galeria

Mulher elegante desce escadas vermelhas vestida com vestido longo colorido em evento formal.

Na escadaria mais emblemática do universo da moda, desta vez foi a realidade a seguir o caminho da criação artística.

Este ano, a gala desenvolveu-se em torno do tema "Arte do Traje", pensado para defender a moda como uma forma de expressão artística ao nível das artes clássicas. A mesma lógica passou para o código de vestuário da noite, intitulado "Moda é Arte".

Como é habitual, houve quem abraçasse a proposta de forma evidente - e quem preferisse manter-se no registo seguro do preto, sem grandes riscos, ou então optar pelo fato clássico, mais discreto e menos chamativo.

A arte em desfile

De acordo com o código de vestuário, algumas celebridades assumiram-se literalmente como telas vivas.

Vestida de branco e com os olhos “vendados”, Rachel Zegler - que ganhou nova projeção com a interpretação da mais recente versão de "Branca de Neve" - levou para o tapete uma referência clara a "A Execução de Lady Jane Grey", do pintor francês Paul Delaroche.

Já Hunter Schafer, em Prada da cabeça aos pés, também foi buscar inspiração ao universo pictórico. Com um laço no cabelo, a atriz norte-americana encarnou a "Mada Primavesi" do mestre austríaco Gustav Klimt.

Gracie Abrams seguiu a mesma linha e, vestida por Chanel, reinterpretou o icónico "O Beijo".

Em Saint Laurent, Madonna não passou pelas escadas - tomou-as para si. Com cinco assistentes, um em cada extremidade do véu de grandes dimensões, surpreendeu ao citar "A Tentação de Santo António - Fragmento II", tela da surrealista Leonora Carrington.

Ainda no diálogo com a pintura, a estrela da música popular Charli XCX, também em Saint Laurent, elevou o clássico vestido preto ao juntar-lhe uma das muitas flores associadas a Van Gogh. Claire Foy, por sua vez, em Erdem, podia facilmente ser confundida com a Madame X de John Singer Sargent.

Presenças assíduas na Met Gala, as irmãs Kim e Kendall também aproveitaram para incluir referências. Em GAP Studio, Kendall Jenner surgiu “esculpida” ao detalhe para evocar a "Vitória de Samotrácia", a célebre escultura grega em mármore do século II que representa a deusa da vitória, Nike, pousada na proa de um navio.

Kim Kardashian, por outro lado, associou-se a Allen Jones e Whitaker Malem e apresentou um vestido de efeito metalizado, com uma leitura futurista.

Além destes momentos, várias peças e pequenos detalhes espalhados pelos visuais fizeram referência ao conhecido "azul Klein", cor criada pelo artista francês Yves Klein em 1960.

Mais alguns "looks" que marcaram a noite

Entre as referências mais faladas, os rostos tapados voltaram a ser um dos grandes destaques.

Katy Perry, em Stella McCartney, Gwendoline Christie, em Giles Deacon, Yseult, em Harris Reed, e Sarah Paulson, vestida por Matières Fécales, estiveram entre as figuras públicas que escolheram aparecer de olhos escondidos, gerando conversa pela ousadia e irreverência.

Quem não se ficou pelos acessórios foi Bad Bunny. Quase irreconhecível à primeira vista, o cantor porto-riquenho surgiu de bengala, cabelo grisalho e numa autêntica versão "mais velha".

"O Met é a oportunidade perfeita para nos expressarmo-nos de uma maneira diferente", explicou o cantor, em entrevista à Vogue.

A atriz e modelo alemã Heidi Klum, já conhecida por visuais marcantes no Halloween, manteve a fasquia elevada e apareceu na gala transformada numa estátua de mármore.

Protestos contra Jeff Bezos

Fora da gala, as ruas foram palco de protestos contra a realização do evento e contra Jeff Bezos e Lauren Sámchez, principais patrocinadores da gala e da exposição do Instituto do Traje, além de terem sido escolhidos como anfitriões honorários.

Os manifestantes visaram o empresário, acusando-o de comprar influência. A tensão subiu ao ponto de um dos protestos ter estado muito perto de invadir a escadaria do Met.

Também longe da entrada do museu ocorreram outras concentrações, com cartazes onde se lia: "bilionários por um planeta morto", "tributar os ricos" e "com os bilionários no poder, o presidente dos EUA é um pedófilo, violador e traidor".

De acordo com o New York Times, antes do evento, ativistas do grupo Todos Odeiam o Elon deixaram 300 garrafas de urina falsa no museu - numa alusão a relatos de funcionários da Amazon que afirmaram ter sido obrigados a fazer as suas necessidades em garrafas de água enquanto trabalhavam.

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