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Benagouro acolhe a "Lua Cheia da Terra" para desmistificar o lobo-ibérico

Grupo de jovens sentados ao ar livre com projetor e máscaras, rodeados por montanhas ao pôr do sol.

Durante cinco dias, Benagouro, na encosta da serra do Alvão, enche-se de uivos com o objetivo de desmontar a carga negativa associada ao animal.

Cinco dias de uivos na serra do Alvão

Entre os dias 26 e 30 deste mês, a aldeia de Benagouro recebe, pela primeira vez, a iniciativa "Lua Cheia da Terra". Por estar inserida numa das zonas onde o lobo-ibérico tem áreas de residência, a sala Peripécia assume-se como o centro do evento e da homenagem a uma espécie que, como sublinhou ao JN Sérgio Agostinho, diretor artístico da Peripécia Teatro, "tem sido maltratada pela fama nos últimos séculos".

Arte e ciência ao serviço do lobo-ibérico

Com um programa diversificado, "Lua Cheia da Terra" pretende desconstruir a figura do "lobo mau" a partir do cruzamento entre arte e ciência, transformando o animal num ponto de encontro para ideias, criatividade e reflexão junto da população de Vila Real. Ao longo das atividades, os participantes são desafiados a olhar para esta subespécie de outra forma, a perceber melhor os seus hábitos e a guardar uma lembrança que pode ficar, literalmente, marcada na pele.

Conversas, cinema, teatro e passeios em Benagouro

Com a ambição de "informar e desmistificar a figura do lobo para a sociedade", o evento inclui conversas com biólogos, naturalistas e realizadores, sessões de documentários e filmes, peças de teatro, caminhadas na serra e tertúlias temáticas sobre o papel do lobo-ibérico nos ecossistemas. A proposta passa também por reforçar a ideia de que o "lobo mau" existe apenas nas lendas e nas fábulas infantis.

A cerimónia de abertura, centrada na subespécie do lobo-ibérico, realiza-se no dia 27, às 19 horas, com a inauguração de uma obra artística de José Ribeiro. Mais tarde, às 21 horas, é apresentada a peça "Loba", da Peripécia Teatro.

Tatuagens

Além de levar o lobo-ibérico na memória, o público poderá levá-lo também no corpo. No Centro Cultural de Benagouro, o tatuador Caíque Buzz estará disponível para dar aos participantes a possibilidade de transformar "uma experiência cultural em algo íntimo e duradouro".

Como nasceu a "Lua Cheia da Terra"

A origem desta iniciativa surgiu durante a pesquisa para a criação do espetáculo "Loba". Segundo Sérgio Agostinho, "Reunimos tanta informação - através do contacto com cientistas, autores e documentários - que sentimos que era importante partilhá-la de forma mais direta com o público".

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