Mas essa suposta protecção pode, sem dar nas vistas, causar problemas.
Quem quer “conter” o corrimento ou sentir-se mais “fresca” acaba muitas vezes por escolher pensos diários finos para a cueca. São discretos, baratos e encontram-se em todo o lado - precisamente por isso parecem tão práticos para o dia a dia. Ainda assim, especialistas em ginecologia e saúde íntima alertam: o uso diário pode mexer com o ecossistema delicado da zona íntima, com consequências que muitas só notam quando já há comichão, ardor ou um cheiro desagradável.
Porque é que o corrimento não é um “erro”, mas um mecanismo de protecção
Antes de falar de pensos diários, vale a pena olhar para o próprio corrimento. Muitas pessoas vivem-no como incómodo ou embaraçoso, mas do ponto de vista médico ele tem uma função relevante.
O chamado muco cervical forma-se no colo do útero. Contém bactérias do ácido láctico que ajudam a manter uma flora vaginal estável. Estas bactérias mantêm o pH ácido - uma barreira natural contra fungos, vírus e bactérias nocivas.
"Na maioria dos casos, um corrimento normal e discreto indica que a zona íntima está a funcionar de forma saudável - não que haja algo a correr “mal”."
Desde que o corrimento seja transparente a esbranquiçado, não tenha um odor forte e não surjam dores ou comichão, regra geral é considerado inofensivo. Pode variar ao longo do ciclo, aumentar em períodos de stress ou apresentar-se de forma diferente em certas fases da vida (puberdade, gravidez, amamentação, menopausa).
Como os pensos diários desestabilizam o equilíbrio na zona íntima
Muitas pessoas recorrem ao penso diário precisamente para “amortecer” esse corrimento. O problema é que o penso não se limita a absorver a humidade: ele altera todo o microclima dentro da cueca.
Problema 1: plásticos e químicos em contacto com pele sensível
A maioria dos pensos diários convencionais não é feita de algodão puro, mas sim de uma mistura de plásticos, fibras sintéticas e vários aditivos. Entre eles podem estar compostos halogenados orgânicos - substâncias que contêm cloro, bromo ou iodo.
Estes componentes destinam-se a aumentar a capacidade de absorção, evitar o amarelecimento e garantir um produto visualmente “limpo”. Para a vulva, no entanto, podem ser problemáticos:
- maior risco de alergias devido a determinados compostos químicos
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