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Urinóis e sanitários públicos no Porto: uma urgência esquecida

Homem à porta de cabine de casa de banho pública numa rua urbana com elétrico amarelo ao fundo.

Um leitor e a ausência de sanitários públicos no Porto

Um leitor enviou-me a seguinte mensagem: "Envio-lhe esta fotografia de um antigo urinol, já desaparecido. (...) É assunto que parece menor, quando comparado com tantos outros, mas que, para quem anda a pé pelo Porto, revela ausências que também fazem parte do seu quotidiano. (...) Os velhos sanitários públicos desapareceram, não foram substituídos e a consequência vê-se: pessoas a procurar recantos, cafés a negar acesso, e uma cidade que - apesar de tanta modernização - não oferece solução digna para necessidade tão elementar". Assino por baixo.

O que se perdeu pela cidade

Durante anos, havia sanitários na Avenida, em Carlos Alberto, na Batalha, na Rotunda, no Marquês, em S. Lázaro, na Praça da República, na Arca d"Água, no Infante, em S. Bento, e por aí fora. Entretanto, há muito tempo, em nome da poupança (de alguns funcionários destinados à manutenção) ou por um cosmopolitismo parolo, fecharam-nos.

O resultado é o que se conhece: ou se recorre à clandestinidade quando a urgência aperta, ou se tenta a sorte nos cafés.

Duas saídas para a CMP

Para atalhar esta calamidade em matéria de saúde pública, a CMP só tem duas vias.

A improvisação

1 - À chegada ao aeroporto, entregar aos visitantes garrafinhas para pendurarem no cinto e utilizarem pela cidade; 2 - Aos portuenses, recomendar o uso de fraldas, para não encharcarem a roupa; 3 - De noite, tornar mais fácil o uso dos jardins para os inevitáveis alívios.

A resposta decente e politicamente séria

A alternativa, com decência e seriedade política, passaria por recuperar os urinóis que ainda resistem, contratar os funcionários indispensáveis e voltar a abri-los. Numa urbe colocada no 8.º lugar mundial entre as menos stressantes e distinguida de tantas outras formas, garantir que um acto essencial se faz com asseio é o mínimo que a Ilustríssima Câmara poderia assegurar a todos, nos tempos que correm. Já chega de apertos.

*O autor escreve segundo a ortografia anterior


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