O trabalho reúne mais de 600 enzimas-chave e estabelece um padrão para estudar doenças e criar novos medicamentos
Investigadores do Instituto Walter e Eliza Hall de Investigação Médica (Walter and Eliza Hall Institute, WEHI) lideraram um estudo internacional que culminou na criação do primeiro atlas de referência das ligases E3. Estas enzimas proteicas controlam a função e o “destino” de outras proteínas em praticamente todos os processos celulares do organismo.
O que fazem as ligases E3 no controlo das proteínas
As ligases E3 funcionam como “guardas da célula”, assinalando proteínas com moléculas de ubiquitina. Essa marcação permite à célula regular a actividade das proteínas, encaminhá-las para reparação ou promover a sua eliminação. Quando estes mecanismos falham, podem acumular-se proteínas danificadas, aumentando o risco de doenças como cancro, perturbações imunológicas e alterações neurológicas.
O “E3-oma” resolve a falta de uma classificação única
Até este trabalho, não existia uma classificação unificada para as ligases E3. O novo atlas, denominado “E3-oma”, foi concebido para eliminar divergências anteriores e disponibilizar um padrão comum para a investigação destas enzimas.
Quatro anos de análise: de mais de 1100 genes a 672 no atlas
Ao longo de um projecto de quatro anos, a equipa avaliou mais de 1100 genes que, anteriormente, eram apontados como potenciais ligases E3. Após uma filtragem rigorosa, o atlas passou a incluir 672 genes, o que ajuda a corrigir inconsistências antigas: na literatura científica, as estimativas do número de ligases E3 variavam entre 300 e mais de 1000.
A médica e investigadora Rebecca Feltham, líder de laboratório no WEHI, sublinhou que o atlas cria novas oportunidades para estudar doenças associadas às ligases E3 e deverá servir de base ao desenvolvimento de medicamentos, incluindo PROTACs e a “cola molecular”, abordagens que exploram a actividade destas enzimas para eliminar proteínas nocivas.
Colaboração internacional e tecnologias avançadas
O projecto reuniu mais de 40 cientistas da Austrália, Canadá, Alemanha e Estados Unidos, recorrendo a tecnologias actuais, como análise com recurso a inteligência artificial e bases de dados genéticas em grande escala.
Os autores salientam ainda que o número de ligases E3 identificadas não é definitivo e deverá crescer à medida que surgirem novos dados. O atlas completo foi disponibilizado em acesso aberto, permitindo que outros grupos de investigação continuem a desenvolver este campo.
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