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Intel Nova Lake: Core Ultra 400 com até 52 núcleos, 288 MB de bLLC e NPU de 74 TOPS

Pessoa a montar componente de computador na secretária com dois ecrãs mostrando software de edição de vídeo.

Nos bastidores, a Intel está a preparar uma mudança de plataforma pensada para responder ao domínio recente da AMD no gaming e na produtividade de gama alta. A arquitectura Nova Lake, destinada à futura família Core Ultra 400, aposta em contagens de núcleos muito elevadas, numa cache partilhada gigantesca e num enfoque em cargas de trabalho de IA mais forte do que em qualquer chip mainstream da Intel até hoje.

A Intel quer apagar dúvidas sobre o seu futuro de topo

Os lançamentos recentes de desktops da Intel têm sido competentes, mas muitas vezes encarados como incrementais. Há muito que os entusiastas esperam algo que pareça realmente novo, em vez de mais um polimento do mesmo desenho-base. A Nova Lake, prevista para o final de 2026, é apresentada internamente como esse ponto de viragem.

A arquitectura traz dois novos desenhos de núcleo: P-cores “Coyote Cove”, virados para desempenho, e E-cores “Arctic Wolf”, orientados para eficiência. Ambos foram concebidos para elevar o IPC (instruções por ciclo), o que influencia directamente a quantidade de trabalho que um núcleo consegue executar a uma determinada frequência.

"Na prática, a Intel está a prometer um recomeço: novos núcleos, uma nova estrutura de cache e uma plataforma pensada de frente para IA e gaming."

O objectivo da Intel é claro: desperdiçar menos energia em tarefas com pouca carga, aumentar o desempenho por watt e apresentar uma resposta convincente aos Ryzen e Ryzen X3D da AMD, tanto em throughput bruto como em taxas de fotogramas.

Até 52 núcleos e uma “grande cache de último nível”

O número que mais chama a atenção é a contagem de núcleos. Dados internos e fugas na indústria indicam que os modelos desktop de topo da gama Core Ultra 400 podem chegar a 52 núcleos no total, combinando P-cores, E-cores e um pequeno conjunto de núcleos ultra-baixo consumo “LPE” para trabalho em segundo plano.

Isto prolonga a abordagem híbrida da Intel, mas numa escala muito mais agressiva. Em vez de apenas acrescentar alguns núcleos pequenos, a Nova Lake pretende apoiar-se em muitos E-cores para lidar com cargas paralelas, enquanto os P-cores ficam com tarefas sensíveis à latência, como jogos e software criativo.

A organização da cache é igualmente marcante. Ao que tudo indica, a Intel vai renomear a cache de último nível para “bLLC” – Big Last Level Cache – e aumentar a capacidade para patamares normalmente associados aos designs com 3D V-Cache da AMD.

"Os chips Nova Lake premium podem chegar com até 288 MB de cache L3 partilhada, desafiando directamente os processadores de gaming da AMD orientados para cache."

Uma cache grande e de baixa latência permite ao CPU manter mais dados no próprio chip, em vez de os ir buscar à memória do sistema, mais lenta. Nos jogos, isso costuma traduzir-se em tempos de frame mais estáveis e FPS médios mais altos, sobretudo a 1080p ou 1440p, onde o CPU tende a ser o gargalo.

Configurações esperadas para desktop Core Ultra 400

Com base na informação disponível actualmente, é assim que alguns modelos projectados se alinham:

Core Ultra 400 (Ultra 9) Core Ultra 400 (gama alta) Core Ultra 400 (gama média)
Total de núcleos 52 (48 + 4 LPE) 42 (38 + 4 LPE) 28 (24 + 4 LPE)
Divisão de núcleos 16 P-cores / 32 E-cores 14 P-cores / 24 E-cores 8 P-cores / 16 E-cores
Cache L3 (bLLC) 288 MB 288 MB 144 MB
Socket Novo socket Novo socket Novo socket

Tudo indica que cada um destes chips vai usar um novo socket, o que significa que as motherboards Intel actuais não serão compatíveis. Isso vai desiludir alguns utilizadores que pretendiam actualizar, mas também sugere que a Intel quer libertar-se de limitações antigas, sobretudo ao nível da alimentação e do encaminhamento de memória.

IA no centro: uma NPU de 6.ª geração com 74 TOPS

Embora os jogadores se foquem em núcleos e clocks, a maior aposta estratégica da Nova Lake pode estar no motor de IA. A Intel planeia integrar uma NPU (Neural Processing Unit) de sexta geração com capacidade de até 74 TOPS (triliões de operações por segundo).

"Com cerca de 74 TOPS disponíveis, as NPUs da Nova Lake querem ultrapassar largamente os requisitos actuais de PCs Copilot+, que rondam os 40–45 TOPS."

Este nível de capacidade não se destina apenas a assistentes de voz. Modelos de linguagem grandes a correr localmente, ferramentas aceleradas de fotografia e vídeo, remoção automática de fundos, transcrição e tradução em tempo real, e programação assistida por IA beneficiam todos de uma NPU rápida e dedicada, em vez de dependerem apenas do CPU ou do GPU.

Ao deslocar estas cargas para um bloco de IA eficiente, a Intel pode manter os portáteis mais silenciosos e os desktops mais frescos durante longas sessões de edição assistida por IA ou de geração de conteúdos.

Sem Hyper-Threading, mais núcleos físicos

Uma das escolhas de desenho mais inesperadas é a alegada remoção do Hyper-Threading. A Intel parece disposta a abandonar o multi-threading simultâneo, preferindo adicionar mais núcleos físicos e extrair mais IPC de cada um.

Esta abordagem torna o escalonamento do sistema operativo mais simples e pode reduzir contenção de recursos dentro de cada núcleo. Também pode ajudar em térmicas e estabilidade a frequências elevadas, já que cada núcleo tem menos contextos de execução activos para gerir.

Em software que já escala bem por muitas threads, o benefício é directo: mais núcleos reais para usar. Cargas amigáveis a multicore, como rendering 3D, compilação de bases de código grandes ou codificação de vídeo com ferramentas modernas, deverão ganhar de forma consistente se o aumento de desempenho por núcleo se concretizar.

Intel vs AMD em 2026: confronto a ganhar forma

A Nova Lake não chega num vazio. É esperado que a AMD tenha o Zen 6 disponível num período semelhante. Isso prepara um choque frontal, com ambos os lados a puxarem por contagens de núcleos elevadas, designs de cache agressivos e aceleração de IA avançada.

A AMD tem tido uma vantagem nítida em gaming com os modelos X3D, graças à cache empilhada verticalmente. A resposta da Intel com bLLC é menos exótica em termos de empacotamento, mas procura o mesmo efeito: manter mais dados de jogo perto dos núcleos e reduzir idas e voltas à RAM.

Na vertente de IA, as duas empresas competem para acompanhar os requisitos em evolução da Microsoft para IA no dispositivo e futuras iterações do Copilot (ou assistentes semelhantes). Uma NPU de 74 TOPS daria à Intel um argumento de marketing forte, sobretudo para criativos e programadores que testem modelos locais.

O que isto pode significar para jogadores e criadores

Se estes números se confirmarem, um Core Ultra 400 de gama alta, combinado com um GPU rápido, pode tornar-se uma opção muito forte para gaming a 1440p com alta taxa de actualização e a 1080p. A grande capacidade de bLLC deverá ajudar a reduzir stutter em títulos mundo-aberto com streaming pesado e simulação complexa, em especial em jogos intensivos no CPU como grande estratégia, MMOs ou shooters em larga escala.

Para criadores de conteúdos, a mistura de muitos E-cores com P-cores mais robustos tende a ser útil em cenários mistos. Poderá fazer stream, correr um upscaler de IA local para a webcam, codificar gameplay e manter um navegador cheio de separadores sem saturar os núcleos principais de desempenho.

  • Os P-cores tratam tarefas sensíveis à latência: gaming, pipelines de áudio, timelines activas em ferramentas de edição.
  • Os E-cores assumem trabalho em segundo plano: codificação, exportações em lote, compressão de ficheiros, compilação de código.
  • Os núcleos LPE mantêm tarefas de baixa prioridade: actualizações, ferramentas de sincronização, agentes de IA em background.

Termos e conceitos-chave que vale a pena destrinçar

IPC (instruções por ciclo) descreve quantas operações um núcleo conclui em cada ciclo. Um aumento de 20% de IPC ao mesmo clock pode sentir-se como um salto de uma geração inteira, sobretudo em aplicações pouco paralelizáveis.

Cache é memória rápida no próprio chip. As caches L1 e L2 ficam muito perto de cada núcleo; a L3 (aqui, bLLC) é partilhada por muitos núcleos. Jogos e simulações beneficiam muitas vezes de uma L3 grande e rápida, porque a comunicação entre núcleos e as leituras de memória tornam-se mais rápidas e previsíveis.

TOPS é uma métrica de throughput para aceleradores de IA. Mais TOPS não significa automaticamente melhor desempenho no mundo real, mas quando os modelos e as ferramentas estão afinados para o hardware, uma NPU mais capaz consegue executar tarefas de IA maiores ou mais complexas localmente sem abrandamentos perceptíveis.

Cenários possíveis para compradores e quem monta PCs

Para utilizadores em plataformas Intel actuais, o novo socket cria um ponto natural de decisão em 2026–2027: manter a motherboard e actualizar para o último CPU suportado, ou saltar para uma motherboard Nova Lake e, possivelmente, para configurações de memória DDR ajustadas ao novo desenho de cache e de alimentação.

Para quem está em sistemas AMD ou Intel mais antigos, a janela de lançamento da Nova Lake pode ser uma oportunidade para planear uma actualização. Uma configuração equilibrada poderá juntar um Core Ultra 400 de gama média (28 núcleos, 144 MB bLLC) com um GPU forte, mas não topo de gama, visando excelente desempenho a 1440p, ao mesmo tempo que desbloqueia funcionalidades de IA e futuras actualizações do Windows ligadas à capacidade da NPU.

Há também riscos a considerar. A subida rápida de núcleos pode trazer retornos decrescentes se o software não estiver preparado, ou se o escalonamento entre P-, E- e LPE cores se tornar complexo. O consumo energético vai exigir atenção, tanto em carga total como em idle, tendo em conta quantos núcleos existem no die.

Ainda assim, os ganhos podem ser expressivos. Um layout híbrido bem definido, uma cache de último nível enorme e uma NPU a sério apontam para PCs que não só elevam frames e benchmarks, como também parecem mais rápidos e responsivos à medida que o software do dia-a-dia começa a recorrer discretamente à IA em segundo plano.


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