Muitas mulheres, quando fazem anos, querem apenas disfarçar os cabelos brancos ou grisalhos - e acabam, sem querer, com um visual que as faz parecer bem mais velhas.
A cor certa consegue suavizar linhas finas, dar mais frescura ao tom de pele e trazer leveza ao rosto. Já a nuance errada faz exactamente o contrário e denuncia cada ano sem piedade. Nos salões, os profissionais de coloração encontram repetidamente os mesmos deslizes a partir dos 60 - e há três tipos de coloração que aparecem com particular frequência.
Porque é que a cor do cabelo aos 60 conta tanto
Com o passar do tempo, não é só o cabelo que muda: a pele também. O rosto pode ganhar um ar mais apagado, os contornos tornam-se menos definidos e manchas de pigmentação e rugas tendem a destacar-se mais. Tons que antes funcionavam “sempre” deixam, de repente, de resultar.
Uma coloração que aos 40 parecia impecável pode, aos 65, ficar dura, severa e “fora de época” - mesmo mantendo o mesmo corte.
Além disso, o fio costuma ficar mais seco, mais fino e mais frágil. Cores demasiado agressivas ou muito escuras sublinham ainda mais estes problemas de textura. Por isso, as técnicas actuais procuram sobretudo trazer luz ao rosto, em vez de “tapar” tudo de forma pesada.
Erro 1: Tons radicalmente escuros como preto e castanho muito escuro
É o clássico que se vê vezes sem conta: para fazer desaparecer por completo os brancos, muitas clientes escolhem preto ou um castanho muito fechado. À primeira vista, parece uma solução segura e bem coberta. Na prática, acontece frequentemente o contrário do que se pretende.
- Contraste demasiado duro entre pele mais clara e cabelo muito escuro
- Linhas e sulcos à volta da boca e do nariz tornam-se mais evidentes
- A expressão fica mais severa, por vezes até cansada ou carregada
- Mesmo sombras pequenas na zona dos olhos parecem mais marcadas
Há ainda outro ponto: muitas colorações feitas em casa ficam automaticamente mais escuras do que a embalagem sugere. E, se o tempo de actuação passa do recomendado, é fácil cair no “efeito capacete” - uma massa uniforme, escura e sem vida.
Por isso, muitos cabeleireiros aconselham a escolher, em relação ao passado, uma cor um pouco mais clara. Quem quer manter-se no registo escuro tende a ficar melhor com:
- Castanho médio em vez de preto
- Castanho chocolate quente com madeixas muito finas
- Castanhos frios suaves, com um resultado ligeiramente translúcido
Depois dos 60, meia a uma nuance mais clara quase sempre favorece mais, porque ilumina visualmente o rosto em vez de o “abafar”.
Erro 2: Loiros extremos - do amarelado ao loiro gelo
O segundo grande erro está no extremo oposto: loiros muito claros. Muitas pessoas acreditam que clarear bastante o cabelo o torna automaticamente mais suave e mais jovem. Isso só acontece quando o tom fica absolutamente certo - e, em cabelo maduro, acertar é mais difícil.
O amarelado dá um ar descuidado
Um loiro demasiado vivo com sub-tom amarelo faz o cabelo parecer rapidamente ressequido e sem cuidado. Passa a ideia de que a pessoa não vai ao cabeleireiro há meses, mesmo que tenha ido na semana anterior. E, quando a pele é mais madura e pode ter algum rubor ou irregularidades, esse efeito acentua-se ainda mais.
O loiro gelo retira calor ao rosto
Um loiro muito claro e frio - muitas vezes chamado “loiro polar” ou “loiro platinado” - pode tirar vida ao tom de pele e deixá-lo acinzentado. Pequenas vermelhidões, veias finas e imperfeições ficam mais visíveis, porque a cor do cabelo remove a sensação de calor do conjunto. Resultado: o rosto pode parecer mais baço do que realmente é.
Por essa razão, um colorista experiente costuma preferir mudanças moderadas nesta fase:
- Apenas uma a duas nuances acima da cor natural
- Reflexos dourados ou mel para criar profundidade
- Madeixas finas em vez de descoloração total
Em quem já tem uma base natural clara, por vezes bastam alguns pontos de luz para o rosto ganhar frescura. Se, de repente, o maquilhagem tiver de ser muito mais carregada para a nova cor não “estranhar”, é um sinal de que a mudança foi, provavelmente, demasiado radical.
Erro 3: Cores totalmente uniformes, sem qualquer reflexo
A terceira coloração que pode dar rapidamente um ar de “visual de avó” é discreta à primeira vista: uma cor completamente uniforme, da raiz às pontas, sem nuances, sombras ou reflexos.
Cores monocromáticas, sem variações, fazem o cabelo parecer liso, mais fino e sem energia - exactamente o que muitas pessoas depois dos 60 querem evitar.
Estas cores em bloco tendem a:
- fazer o penteado parecer mais achatado e com menos densidade
- realçar cada ruga de forma mais evidente
- deixar o rosto com contornos mais duros
Por vezes, bastam algumas madeixas suaves ou uma raiz ligeiramente mais escura para criar sensação de volume. O jogo entre luz e sombra dá corpo visual ao cabelo e desvia a atenção de linhas e rugas.
Técnicas que os cabeleireiros recomendam depois dos 60
Muitos salões, em clientes com mais de 60, apostam em técnicas suaves que respeitam o tom natural e o valorizam. Entre as mais usadas estão:
- Balayage: madeixas feitas à mão livre, com um efeito semelhante ao aclaramento natural do sol.
- Ombré: transição suave de uma raiz um pouco mais escura para pontas mais claras.
- Contouring na linha do cabelo: madeixas mais claras estrategicamente colocadas à volta do rosto para destacar certas zonas.
Também um grisalho bem tratado - com um acabamento prateado ou perolado - pode parecer muito mais actual do que uma coloração mal conseguida. O factor decisivo é o brilho: um cinzento baço pode transmitir cansaço, enquanto um grisalho luminoso e bem cuidado pode ficar extremamente elegante.
Como encontrar a cor de cabelo certa depois dos 60 anos
Quem tem dúvidas sobre se a cor actual ainda favorece pode guiar-se por algumas perguntas:
- Sem maquilhagem, com esta cor, pareço rapidamente cansada ou pálida?
- As minhas rugas parecem mais marcadas do que antes?
- Tenho de me maquilhar muito mais para a cor “funcionar”?
- A raiz fica desagradavelmente evidente ao fim de duas semanas?
Se houver várias respostas “sim”, vale a pena conversar no salão. Muitas vezes chega um pequeno ajuste - um toque mais claro, alguns reflexos, ou uma nuance diferente dentro da mesma família - para o rosto parecer visivelmente mais jovem.
Cuidados, textura e risco: o que o cabelo maduro ainda precisa
Para lá da escolha da cor, a estrutura do fio pesa muito. O cabelo maduro parte com mais facilidade, desidrata-se e absorve os pigmentos de forma irregular. Descolorações agressivas e retoques frequentes em todo o comprimento aumentam o risco de pontas espigadas, quebra e perda de brilho.
Por isso, é útil complementar a consulta de cor com:
- máscaras de tratamento com proteínas e hidratação antes e depois da coloração
- champôs e condicionadores próprios para cabelo pintado ou grisalho
- protector térmico ao secar com secador ou alisar
- corte regular das pontas para manter a cor com aspecto fresco
Também é importante não ficar presa a uma ideia de há vinte anos sobre a “sua” cor. O tom de pele muda, as sobrancelhas podem clarear e até a cor dos olhos pode parecer diferente. Uma nuance ligeiramente ajustada, que acompanhe essas mudanças, costuma encaixar muito melhor na imagem actual.
Ao aceitar esse processo, é possível ganhar anos de frescura no rosto com cor, brilho e reflexos bem colocados - sem medidas radicais, apenas com um olhar inteligente para a cor do cabelo aos 60.
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