E há uma plataforma que se destaca de forma particular neste boom do retro.
Quem anda por estes dias a explorar a Vinted dá por si numa espécie de viagem no tempo: calças à boca de sino em vez de skinny jeans, candeeiros cogumelo em vez de focos LED, vinil em vez de streaming. A estética dos anos 70 está a regressar em força - impulsionada pela nostalgia, pela linguagem visual do Instagram e por uma procura crescente de hábitos de consumo mais sustentáveis.
Porque é que os anos 70 voltaram a seduzir
Os anos 1970 ficaram gravados na memória colectiva como um período de viragem, contestação e experimentação. O eco de 68 ainda se fazia sentir, muitas normas tradicionais começavam a desfazer-se e surgiam novos modos de viver. Essa sensação de liberdade e de rebeldia acabou por ficar entranhada em muitos objectos do quotidiano dessa década.
Na moda e no design, a época afastou-se das linhas rígidas. As modelagens tornaram-se mais amplas, os tecidos mais fluidos e as cores mais ousadas. As casas encheram-se de formas arredondadas, materiais pouco usuais e uma pitada de ficção científica. E, quando hoje se pega numa peça original dessa era, essa mistura de futurismo e inconformismo continua bem presente.
"Os números de pesquisa actuais na Vinted mostram claramente: o fascínio pelos anos 70 vai muito além de uma tendência passageira."
Entre Janeiro de 2025 e Janeiro de 2026, as pesquisas por artigos com estilo anos 70 na plataforma aumentaram de forma marcada. Não se procura apenas “qualquer coisa retro”; há, sim, uma caça muito específica a determinados objectos de culto - das calças à boca de sino à bola de espelhos.
Estrela das pesquisas: as calças à boca de sino como declaração rebelde
Entre todos os achados setentistas, há uma peça que se impõe com clareza: as calças de ganga à boca de sino. Na Vinted, as pesquisas por este artigo disparam uns impressionantes +2075 por cento.
Nos anos 70, estas calças funcionavam como uniforme de várias cenas. Ícones do rock como David Bowie ou Jimi Hendrix usavam-nas em palco, e movimentos de protesto levavam-nas para a rua. A silhueta larga rompia, de forma deliberada, com os fatos rígidos e os cortes justos associados à geração dos pais.
Especialistas em moda sublinham repetidamente que a boca de sino é mais do que um pormenor estético. Representa uma geração que recusava encaixar, que queria viver com mais volume, mais cor e mais liberdade. E é precisamente essa mensagem que parece voltar a fazer sentido hoje - numa altura em que muitos jovens procuram individualidade e uma saída de estruturas que sentem como bloqueadas.
Como se usa hoje a boca de sino
Na Vinted, destacam-se três coordenados típicos que estão a resultar especialmente bem:
- Puristas do retro: boca de sino com sapatos de estilo setentista ou plataformas, tops canelados justos, padrões coloridos.
- Mistura para o dia a dia: boca de sino com camisola oversized, sapatilhas e casaco de pele simples - um toque anos 70 sem parecer fantasia.
- Estilo festival: boca de sino com franjas, peças em crochet e óculos de sol grandes.
Para quem vende na Vinted, não compensa despachar calças antigas à pressa. Modelos de cintura subida, ganga consistente e lavagens autênticas estão, neste momento, a alcançar valores particularmente bons.
Retro para a sala: estes objectos dos anos 70 estão em alta
O entusiasmo pelo revival não fica à porta do guarda-roupa. Em casa, o visual dos anos 70 volta a aparecer cada vez mais. Na Vinted, há peças de design procuradas de forma muito directa - e algumas desaparecem quase tão depressa quanto são publicadas.
Neste momento, os itens mais cobiçados são:
- Discos de vinil – aumento de pesquisas: +301 por cento
- Candeeiros cogumelo – aumento de pesquisas: +191 por cento
- Bolas de espelhos – aumento de pesquisas: +116 por cento
Boom do vinil: mais do que nostalgia
O regresso do vinil já dura há alguns anos, mas os dados da Vinted indicam que o apetite por originais dos anos 70 continua a crescer. Não se procuram apenas os clássicos óbvios: há também interesse em edições menos conhecidas, sobretudo quando têm capas marcantes.
O vinil responde a duas saudades diferentes: por um lado, a vontade de uma experiência de audição analógica, fora do universo das playlists; por outro, a atracção por uma espécie de “idade de ouro” do rock, do funk e da disco, quando artistas como Donna Summer ou ABBA dominavam as pistas.
"Muitos compradores não se limitam a pôr os discos a tocar; também os usam como objectos decorativos - emoldurados na parede ou em destaque em prateleiras."
Candeeiros cogumelo e bolas de espelhos: design entre Space Age e cultura de clube
O típico candeeiro cogumelo, com cúpula redonda e pé curvo, coloca imediatamente um ambiente setentista em qualquer divisão. A sua linguagem visual liga-se à euforia espacial da época, quando lançamentos de foguetões e missões do programa Apollo alimentavam o imaginário colectivo.
Já as bolas de espelhos remetem para a outra grande promessa do período: o escapismo. Os pontos de luz em movimento fazem lembrar clubes apinhados, visuais cintilantes e noites que só terminavam ao nascer do dia. Actualmente, aparecem em salas, quartos de adolescentes ou caves de festa - muitas vezes em conjunto com projectores LED e sistemas de som modernos.
Herança boho: o saco de franjas está de volta
Além das calças à boca de sino e da decoração, há ainda outro clássico setentista que entra na lista dos mais procurados: o saco tipo bolsa com franjas. Aqui, as pesquisas sobem cerca de 20 por cento.
A assinatura é clara: pele macia ou camurça, franjas longas e tons naturais mais discretos. O visual aponta directamente para os movimentos hippie e boho - festivais ao ar livre, guitarras junto à fogueira e a ideia de uma vida alternativa, com mais liberdade.
Nos anos 70, muita gente jovem via a roupa como um posicionamento político. Um saco com franjas ou umas calças à boca de sino diziam: sou contra a guerra, contra autoridades rígidas e contra o conformismo. Hoje, essa carga política é mais ténue, mas mantém-se a sensação de descontração e de não conformidade.
Porque é que este visual funciona no quotidiano
O saco de franjas combina surpreendentemente bem com um guarda-roupa actual. Dá mais interesse a conjuntos simples de jeans e t-shirt e acrescenta textura a looks monocromáticos. Na primavera e no verão, muitas pessoas escolhem estas malas precisamente por trazerem um pouco de espírito de festival para o dia a dia.
Porque é que os utilizadores mais jovens se viram precisamente para os anos 70
O actual fascínio pelos anos 70 também tem uma leitura muito ligada ao presente. Vivemos num tempo digital, acelerado e, muitas vezes, indiferenciado. Muitos produtos parecem iguais, as tendências mudam a toda a hora e muita coisa soa a descartável.
"Os originais dos anos 70, pelo contrário, parecem mais resistentes, com mais personalidade e mais carga emocional - e é exactamente isso que muitos compradores procuram na Vinted."
Quem procura vintage não está apenas a tentar poupar: quer, de forma intencional, peças com história. Isto encaixa num maior foco na sustentabilidade: comprar em segunda mão em vez de novo, preferir materiais duradouros a produtos feitos para durar pouco.
Como os compradores aproveitam o trend de forma prática
Três estratégias concretas que ajudam os utilizadores a tirar partido do hype dos anos 70:
- Filtrar por cortes e formas de modo específico: termos como “boca de sino”, “bem largo” ou “boho” costumam trazer resultados mais úteis do que expressões vagas.
- Avaliar com atenção o estado e o material: no vintage, costuras firmes, tecido espesso e fechos a funcionar contam mais do que uma etiqueta “perfeita”.
- Criar ilhas de estilo consistentes: mais vale uma zona forte anos 70 na sala ou um outfit claramente retro do que misturar tudo sem intenção.
O que significam afinal “Vintage” e “estilo anos 70”
No comércio, aparecem constantemente expressões como “vintage”, “retro” ou “estilo anos 70”, muitas vezes usadas de forma confusa. Em rigor, “vintage” refere-se a peças originais da respectiva época, usadas novamente ou revendidas décadas mais tarde.
“Retro”, por sua vez, descreve artigos novos que apenas imitam o aspecto de uma era passada. Na Vinted, as duas realidades cruzam-se: a par de peças genuinamente setentistas, existe uma grande oferta de itens produzidos mais tarde, mas claramente influenciados pela estética dessa década.
Para quem compra, vale a pena observar com atenção etiquetas, cortes, materiais e logótipos de marca. Quanto mais autêntica for a peça, maior tende a ser o valor de revenda - sobretudo em artigos muito desejados, como calças à boca de sino, edições antigas de vinil ou modelos raros de candeeiros.
Oportunidades e riscos do boom dos anos 70
A tendência traz vantagens evidentes: compras em segunda mão reduzem o impacto nos recursos, prolongam a vida útil dos produtos e ajudam a poupar dinheiro. Além disso, peças originais dos anos 70 oferecem, muitas vezes, materiais e acabamentos superiores aos da moda rápida actual.
Ainda assim, há armadilhas. Alguns artigos estão simplesmente muito gastos, podem esconder danos ou já não cumprir normas de segurança actuais - por exemplo, no caso de candeeiros eléctricos mais antigos. Ao comprar este tipo de peças, convém verificar (ou mandar verificar) se cabos, casquilhos e fichas estão tecnicamente em bom estado.
Em contrapartida, vintage bem cuidado pode compensar a dobrar: reforça o estilo pessoal e, passados alguns anos, é frequentemente possível revender com lucro. Em especial, candeeiros cogumelo raros, prensagens de vinil particulares ou cortes invulgares de calças à boca de sino tendem a tornar-se rapidamente objectos de colecção.
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