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Poluição atmosférica pode causar quase 9 milhões de casos de diabetes tipo 2 na Europa por ano

Jovem com mochila e máscara na mão vê telemóvel numa rua urbana com trânsito e autocarro ao fundo.

A exposição a poluição atmosférica causada por partículas finas e por dióxido de azoto pode estar diretamente na origem de cerca de nove milhões de novos casos de diabetes tipo 2 na Europa todos os anos, de acordo com um estudo.

Estudo liga poluição atmosférica à diabetes tipo 2 na Europa

A investigação, conduzida pela Universidade de Múrcia (UMU) em parceria com o Centro Nacional de Supercomputação de Barcelona (BSC-CNS), conclui existir uma “relação direta e alarmante” entre a exposição prolongada a poluentes no ar e a incidência de diabetes tipo 2 (DM2), a variante mais frequente desta doença.

Metodologia: modelação não linear e dados de 1991 a 2020

Para sustentar estas conclusões, a equipa recorreu a técnicas avançadas de modelação não linear e avaliou séries históricas de concentrações atmosféricas ao longo de três décadas, no período de 1991 a 2020.

Números estimados: 3,7 milhões por dióxido de azoto e 5 milhões por partículas finas

Com base nessa análise, os autores estimam que o dióxido de azoto está associado a aproximadamente 3,7 milhões de casos de diabetes por ano na Europa.

Já a exposição a partículas finas aumenta a estimativa para 5 milhões de casos anuais, o que, em conjunto, aponta para quase 9 milhões de casos diretamente ligados à poluição.

No total, registam-se anualmente cerca de 66 milhões de casos deste tipo de diabetes na Europa, sendo projetado um aumento de 10% destes valores nos próximos anos.

Zonas mais afetadas: tráfego, indústria e grandes cidades europeias

Segundo o estudo, as regiões com maior densidade de tráfego e com atividade industrial intensa - sobretudo nas grandes cidades europeias e na Europa Central - concentram a maior carga de doença atribuível à poluição.

De forma mais específica, o vale do Ruhr, na Alemanha, e o vale do Po, no norte da Europa, além de grandes cidades como Londres, Paris e Varsóvia, surgem entre os locais com concentrações mais elevadas.

Uma das conclusões centrais é que as partículas finas no ar, designadas PM2,5, constituem um risco mais elevado para o desenvolvimento de diabetes, mesmo quando presentes em baixas concentrações, sugerindo que até níveis moderados de poluição têm impacto negativo na saúde.

Tanto este poluente como o dióxido de azoto ultrapassam os limites definidos pelas novas regulamentações europeias e pelas orientações da OMS em áreas industriais e urbanas espalhadas por toda a Europa.

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