Enquanto macieiras, cerejeiras e ameixeiras em muitos jardins já dão sinais de cansaço após a primeira vaga de calor, começa de repente a surgir outro nome em fóruns e blogs de jardinagem: uma pequena e resistente árvore de fruto oriunda do norte da China, que lida de forma surpreendentemente tranquila com geada, calor e seca. Em França, já é vista como a “árvore de fruto do futuro” - e também no espaço de língua alemã a curiosidade está claramente a aumentar.
Uma árvore de fruto para verões extremos: a árvore de jujuba
A árvore de jujuba (botanicamente Ziziphus jujuba), muitas vezes chamada em alemão de tâmara-chinesa, vem de regiões onde os invernos podem descer até aos –25 graus e os verões chegam facilmente aos 40 graus. O ar aí é normalmente seco e os solos pobres - precisamente as condições com que os nossos jardins se deparam cada vez mais.
A árvore de jujuba é considerada, entre especialistas, uma fruteira lenhosa que suporta calor, seca e geada muito melhor do que muitas variedades clássicas.
No sul de França já existem exemplares com várias décadas, por exemplo nas zonas de Marselha ou Carpentras. Mostram que esta árvore não é apenas uma moda passageira, mas que se pode estabelecer a longo prazo, desde que o local seja adequado.
Porque é que a árvore de jujuba é tão resistente
Na sua região de origem, esta árvore tem de suportar geadas tardias, sol abrasador e solos pobres. Este “treino” natural torna-a especialmente interessante face às alterações climáticas. O mais importante é que o solo possa ser seco, mas não permaneça encharcado. Não tolera de todo a água estagnada, enquanto aprecia bastante os terrenos bem drenados.
Depois de estar bem enraizada, a árvore precisa de surpreendentemente pouca água. Enquanto outras fruteiras entram em quebra sem regas regulares, a jujuba continua a formar frutos. A isto junta-se a sua resistência a doenças típicas das árvores de fruto e a insetos prejudiciais. Em jardins domésticos, os problemas têm sido até agora muito raros - pulverizações ou tratamentos exigentes são, por norma, desnecessários.
- excelente tolerância ao calor do verão
- suporta bem curtos períodos de geada
- necessita de pouca água após a fase de instalação
- adapta-se a solos pobres, arenosos ou compactados
- quase não é suscetível a doenças e pragas
Vantagem prática: a árvore é geralmente autofértil. Ou seja, não precisa de uma segunda planta para polinização para produzir todos os anos. Também a chamada alternância - anos com muita produção seguidos de anos com colheita fraca - surge nesta fruteira com muito menos intensidade do que em macieiras ou pereiras.
Localização e solo: onde a árvore de jujuba se sente bem
Quem tem um jardim numa zona mais seca poderá acertar em cheio com esta árvore. O ideal é um local:
- com sol pleno ou, pelo menos, muito luminoso,
- com solo bem drenado, que escoe a água da chuva rapidamente,
- com substrato mais pobre, arenoso ou pedregoso,
- que não fique regularmente debaixo de água.
Em solos argilosos e pesados, convém melhorá-los com areia, gravilha e algum composto, para que a água se infiltre melhor. Em depressões húmidas ou em zonas do jardim constantemente molhadas, a árvore terá poucas hipóteses de prosperar.
Como plantar com sucesso na primavera
A melhor altura para plantar é na primavera, quando o solo já secou e deixou de estar gelado. Assim, as raízes têm vários meses para se fixarem bem antes da primeira grande vaga de calor.
Os passos da plantação parecem simples, mas são decisivos para um bom arranque:
- Abrir uma cova de plantação claramente mais larga e um pouco mais funda do que o torrão.
- Misturar a terra retirada com composto bem curtido ou estrume bem decomposto - sem exagerar, porque a árvore prefere solos mais pobres.
- Colocar a árvore de forma que o colo da raiz fique depois exatamente ao nível do solo.
- Preencher com a terra melhorada e calcá-la ligeiramente, para não ficarem bolsas de ar.
- Regar abundantemente e manter o solo uniformemente ligeiramente húmido nos primeiros meses.
O essencial é apenas o primeiro ano: quando a árvore de jujuba já está enraizada, a necessidade de rega diminui bastante.
Uma camada de cobertura morta feita com ramos triturados ou folhas protege as raízes superficiais contra a secura e ajuda a controlar as ervas daninhas. O material não deve ficar encostado ao tronco, para evitar que a casca apodreça.
Jujuba, espinheiro-marítimo e romãzeira: o trio para um pomar seco
Quem não quiser plantar apenas uma árvore, mas sim planear uma zona de fruteiras que consuma pouca água, pode combinar a árvore de jujuba com mais duas espécies: espinheiro-marítimo e romãzeira.
Espinheiro-marítimo como melhorador natural do solo
O espinheiro-marítimo (Hippophae rhamnoides) é originário da Europa e da Ásia e adapta-se bem a locais pobres, ventosos e ricos em sal. Com a ajuda de bactérias do solo, fixa azoto do ar e enriquece lentamente o terreno. Esta característica faz dele uma espécie de fornecedor vivo de fertilidade em segundo plano.
As suas bagas de cor laranja intensa amadurecem normalmente a partir do fim do verão. Contêm quantidades muito elevadas de vitamina C e podem ser usadas para sumos, purés ou geleias. Para as aves, constituem uma importante fonte de alimento quando outros arbustos já foram colhidos.
Romãzeira para cor e colheita de outono
A romãzeira (Punica granatum) vem da região mediterrânica e aprecia calor e sol. Algumas variedades, como linhas tradicionais do sul de França ou de Itália, suportam em local abrigado ligeiras temperaturas negativas até cerca de –10 graus. Em regiões mais rigorosas, sente-se melhor em vaso, que no inverno pode ser aproximado da casa.
A árvore produz flores espetaculares, de vermelho vivo, das quais se desenvolvem os conhecidos frutos. No espaço de língua alemã, amadurecem relativamente tarde, geralmente entre o fim de setembro e outubro - precisamente quando a árvore de jujuba também começa a dar frutos prontos a colher.
| Tipo de fruto | Principal vantagem no jardim seco | Período típico de colheita |
|---|---|---|
| Árvore de jujuba | muito tolerante à seca, pouco suscetível a doenças | outubro a novembro |
| Espinheiro-marítimo | melhora o solo, fornece azoto, bagas para pessoas e aves | fim do verão a início do outono |
| Romãzeira | gosta de calor, decorativa, frutos aromáticos | fim de setembro a outubro |
Com esta combinação, a colheita distribui-se por vários meses. Com um bom planeamento, é possível colher fruta própria desde o fim do verão até ao fim do outono, sem ter de andar constantemente com a mangueira na mão.
Como sabem os frutos da árvore de jujuba?
Visualmente, as jujubas maduras lembram pequenas azeitonas castanho-avermelhadas ou mini-maçãs. Numa fase inicial de maturação, são crocantes e ligeiramente ácidas; mais tarde tornam-se mais doces e de textura mais macia. Em muitos países asiáticos, são consumidas frescas, secas, em chás, sobremesas ou pratos salgados.
No jardim de casa, os frutos podem ser secos sem dificuldade: basta colocá-los sobre uma grelha num local quente e arejado, ou usar um desidratador a baixa temperatura. Assim obtêm-se pequenos snacks doces que se conservam durante muito tempo.
Dicas para iniciantes
- Testar primeiro árvores isoladas antes de transformar áreas maiores.
- Proteger as plantas jovens das geadas tardias nos primeiros dois anos, por exemplo com manta térmica.
- Em locais muito ventosos, prever uma ligeira proteção contra o vento para ajudar a árvore a enraizar melhor.
- No cultivo em vaso, garantir volume suficiente e uma camada de drenagem.
Quem mantiver a árvore de jujuba em vaso deve vigiar as raízes no inverno: o vaso congela mais depressa do que o solo do jardim. Uma base isolante e alguma manta de proteção à volta do recipiente ajudam a evitar danos.
O que os jardineiros devem ter em conta ao planear um “pomar seco”
Mesmo sendo uma árvore muito resistente, a escolha do local continua a ser decisiva. Uma árvore que deve produzir durante décadas beneficia mais de espaço a mais do que de espaço a menos. A pressão radicular de grandes árvores vizinhas, sombra permanente ou solos fortemente encharcados travam o seu desenvolvimento.
Faz sentido optar por uma mistura de espécies com exigências semelhantes em relação ao sol e ao solo. Quem combinar árvore de jujuba, espinheiro-marítimo e romãzeira pode gerir-se com um mínimo de água e, ainda assim, aproveitar uma gama variada de frutos - desde verdadeiras bombas de vitaminas até snacks para guardar para o inverno.
Tendo em conta os verões cada vez mais quentes no espaço de língua alemã, vale a pena olhar para além do pomar clássico. A árvore de jujuba mostra que “exótico” não significa automaticamente “delicado”, podendo até significar exatamente o contrário: uma fruteira que continua a produzir onde outras há muito desistiram.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário