Num corredor de beleza de uma farmácia, às 19:00 de uma terça-feira, vi uma mulher encostar três tons diferentes de corretor à zona das olheiras, a semicerrar os olhos para a câmara do telemóvel como se estivesse a tentar resolver uma equação complicada. Pegava num tom, largava-o, agarrava noutro e ia resmungando qualquer coisa sobre “laranja versus amarelo”, enquanto outras pessoas se enfiavam à volta do carrinho dela para passar. A iluminação fluorescente não a ajudava em nada e, para ser sincero, fez-me lembrar a minha própria coleção de compras falhadas de corretor, abandonadas em gavetas da casa de banho. Já todos passámos por isto - compramos o produto que juramos ser o nosso santo graal e depois percebemos que nos deixa com um ar de “guaxinim ao contrário”. A realidade é simples: a maioria de nós está a escolher a cor do corretor de forma completamente errada.
Porque é que as tuas olheiras têm cores diferentes (e porque isso importa)
As olheiras não são apenas “escuras” - na prática, trazem subtons variados que quase ninguém observa com atenção. Em algumas pessoas puxam para o roxo-azulado; noutras, para o castanho ou até para o esverdeado; e há quem tenha uma mistura que muda consoante a quantidade de sono da noite anterior. O tom que vês não aparece por acaso: é o teu corpo a dar pistas sobre tudo, desde a genética até às maratonas de Netflix pela madrugada fora.
A minha amiga Sarah passou anos a usar o mesmo corretor pêssego que a irmã mais velha lhe tinha recomendado, sem perceber porque é que ficava sempre com um ar ligeiramente doente, mesmo comprando produtos caros. Até que um dia tirou uma fotografia de perto às olheiras, com luz natural, e percebeu o essencial: o subtom era mais roxo do que castanho. Mudou um único passo na correcção de cor e, de repente, começaram a perguntar-lhe se tinha feito um tratamento de pele. Às vezes, são as alterações mais pequenas que causam o maior impacto.
O que está por trás disto é o seguinte: os vasos sanguíneos por baixo da pele fina da zona dos olhos criam diferentes “manchas” de cor consoante a profundidade e o teu tom de pele. Quando estão mais à superfície, tendem a parecer azulados ou arroxeados; quando estão mais fundos, o resultado pode parecer mais castanho ou esverdeado. Se juntares alergias, desidratação ou danos solares, acabas com uma assinatura de cor muito particular - e, por isso, com uma solução que também precisa de ser específica.
A explicação de teoria das cores que funciona mesmo
Olheiras azuis e roxas pedem correctores laranja ou pêssego - é a clássica lógica do círculo cromático: cores opostas anulam-se. Se notas veias realmente azuis ou se a zona parece “pisada”, os subtons alaranjados ajudam a neutralizar essa frieza. A maioria das paletas de “correcção de cor” de farmácia inclui precisamente um tom pêssego-alaranjado por este motivo.
As olheiras com um fundo verde ou azeitona (sim, existem) resultam melhor com correctores vermelhos ou rosados. À primeira vista parece estranho, mas subtons esverdeados são mais comuns do que se pensa, sobretudo em tons de pele mais profundos. Sejamos honestos: quase ninguém fala de olheiras verdes porque são mais difíceis de identificar, mas quando sabes o que procurar, começas a vê-las por todo o lado.
As olheiras castanhas - o tipo mais frequente - beneficiam de correctores amarelos ou dourados para iluminar e dar um efeito de elevação. Muita gente salta a correcção de cor nas olheiras castanhas e vai directamente para o corretor, o que pode resultar se a escuridão não for muito intensa.
“A teoria das cores não é só uma tretas da aula de artes - é a diferença entre pareceres desperta e parecer que não dormes há semanas”, diz a maquilhadora de celebridades Jamie Paige.
- Tira fotografias às olheiras sem produto, com luz natural do dia
- Observa o subtom predominante, e não apenas o grau de escuridão
- Testa correctores primeiro no interior do pulso - o tom de pele é semelhante ao da zona das olheiras
- Aplica em camadas finas; dá sempre para reforçar a cobertura depois
Fazer as pazes com a tua zona das olheiras
A indústria da beleza gosta de vender a ideia de que existe um único tom perfeito de corretor para toda a gente, mas isso seria como dizer que há um único par de jeans perfeito. A “história” de cor das tuas olheiras é tão individual como uma impressão digital e, honestamente, isso até tem a sua beleza. Há dias em que podem parecer mais roxas e outros em que parecem mais castanhas - e isso é completamente normal, não é uma falha tua.
| Ponto-chave | Detalhe | Benefício para a leitora/o leitor |
|---|---|---|
| Olheiras roxas/azuis | Usa correctores laranja ou pêssego | Remove imediatamente o aspeto “pisado” |
| Olheiras verdes/azeitona | Aplica correctores vermelhos ou rosados | Ilumina e aquece toda a zona dos olhos |
| Olheiras castanhas | Escolhe correctores amarelos ou dourados | Cria uma cobertura natural que não fica esbranquiçada |
Perguntas frequentes:
- Posso usar apenas um corretor normal sem correcção de cor? Sim, mas vais precisar de mais produto e é provável que a cor “atravesse” na mesma, sobretudo em olheiras mais marcadas.
- Como sei se as minhas olheiras são mesmo esverdeadas? Tira uma fotografia com luz natural e compara com exemplos de olheiras azuis online - as verdes parecem mais “baças/lamacentas” do que “pisadas”.
- O corrector deve ser mais claro ou mais escuro do que a minha pele? Dá prioridade ao subtom, não à profundidade - o objectivo do corrector é neutralizar a cor, não necessariamente clarear.
- Os correctores caros funcionam melhor do que os de farmácia? Não obrigatoriamente - a teoria das cores é a mesma independentemente do preço, embora a textura e a facilidade de esbater possam variar.
- E se as minhas olheiras mudarem de cor ao longo do dia? É normal por causa da iluminação, do cansaço e de alterações no fluxo sanguíneo - segue o subtom que aparece com mais frequência.
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