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Vinted: o regresso dos anos 70 e os 5 objectos mais procurados

Mulher sorridente segura uns jeans enquanto faz uma mala com vinis, disco de espelhos e roupa colorida.

E há uma plataforma onde este fenómeno se vê com nitidez.

Na Vinted, a procura por peças que durante anos foram tratadas como “roupa de antigamente” está a disparar. Calças à boca de sino, franjas e candeeiros-cogumelo regressam em força - a um ritmo que até surpreende quem acompanha o sector. O que explica esta nova vontade de retro e que cinco objectos estão, neste momento, entre os mais desejados?

Porque é que os anos 70 voltaram a fascinar tanto

Poucas décadas ficaram tão marcadas na memória colectiva como os anos 70. É um período em que a sociedade se afasta de normas rígidas, os papéis tradicionais começam a ser questionados e o quotidiano é moldado pela cultura pop e por movimentos de protesto. Essas mudanças continuam visíveis, décadas depois, na moda, na música e no design.

Na estética, tudo se torna mais fluido: silhuetas menos estruturadas, tecidos mais leves e uma paleta claramente mais arrojada. Em vez de linhas duras, impõem-se formas arredondadas, tons vivos e materiais experimentais. Os criadores ganham margem para brincar com proporções e funções, enquanto as casas passam a procurar um equilíbrio improvável: conforto, fantasia e um toque futurista ao mesmo tempo.

"Na Vinted, as pesquisas por artigos dos anos 70 aumentaram de forma massiva entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026 - muito para lá de uma moda passageira."

E não se trata de procurar “qualquer coisa vintage”. Muitas pessoas escrevem directamente termos como calças à boca de sino, vinil, candeeiro-cogumelo ou mala com franjas. Para quem compra, os anos 70 representam uma mistura de liberdade, rebeldia, glamour e leveza - uma espécie de antídoto a um dia-a-dia digital, acelerado e milimetricamente planeado.

1. Calças à boca de sino: ícone de uma geração rebelde

A estrela indiscutível do entusiasmo actual são as calças à boca de sino, muitas vezes conhecidas no original como “patte d’éléphant”. Na Vinted, as pesquisas por este corte sobem uns impressionantes 2075 por cento. O recado é claro: a silhueta setentista voltou à rua - e ao feed.

Nos anos 70, figuras do rock como David Bowie ou Jimi Hendrix levam estas calças para o palco. Ao mesmo tempo, movimentos de protesto adoptam o visual como forma de se afastarem, de propósito, dos fatos e tailleurs associados ao “respeitável”. Assim, as calças de ganga tornam-se um símbolo visível contra códigos de vestuário rígidos.

Para quem estuda moda, as calças à boca de sino não são apenas nostalgia: carregam um significado próprio, ligado a:

  • autoexpressão em vez de um visual padronizado
  • descontração em vez de etiqueta inflexível
  • sentimento de pertença dentro de uma subcultura

É precisamente esta energia que a Geração Z volta a recuperar. Hoje, usar boca de sino pode ser uma forma consciente de se distinguir da fast fashion repetitiva. E é uma peça versátil: funciona num look de festival ou no dia-a-dia, com ténis, sapatos de plataforma ou botas mais robustas.

2. Vinil: discos pretos como resposta ao “mais do mesmo” do streaming

O regresso não se limita à roupa - os suportes físicos voltaram a ser objecto de desejo. Na Vinted, as pesquisas por discos de vinil aumentam 301 por cento. Muitas pessoas procuram especificamente edições originais da era do rock, do funk e da disco.

Actualmente, o vinil encaixa em vários movimentos ao mesmo tempo:

  • Abranda o ritmo: ouve-se um álbum com intenção, em vez de apenas deixar uma playlist a tocar.
  • Materialidade: capa, textura e até o cheiro trazem algo que o streaming não consegue reproduzir.
  • Impulso de colecção: prensagens limitadas e edições antigas passam a ser pequenos tesouros.

Nomes como Donna Summer ou ABBA voltam a aparecer em muitas pesquisas. Compradores mais novos escolhem frequentemente clássicos dos pais e dos avós - por vezes para expor na estante como elemento decorativo e tocar apenas de vez em quando.

3. Candeeiro-cogumelo: design futurista da euforia da corrida espacial

No universo do interior, o candeeiro-cogumelo é um dos itens com maior procura. As pesquisas sobem 191 por cento. Reconhece-se facilmente pelo abajur arredondado e em cúpula, pelas linhas suaves e por cores fortes como laranja, castanho, amarelo-mostarda ou branco.

Nos anos 70, esta forma dialoga com a fascinação pela tecnologia e pela exploração espacial. As missões do programa Apollo alimentam uma estética virada para o futuro: curvas pronunciadas, plásticos, cromados e luz difusa. O candeeiro-cogumelo encaixa na perfeição neste imaginário.

"Hoje, o candeeiro-cogumelo funciona como um filtro de design: basta uma peça para dar a uma divisão moderna um toque imediato de anos 70."

Na Vinted, há quem procure originais da época e quem opte por reedições posteriores. O que costuma pesar na decisão é a luz quente, o charme retro e a ideia de valorizar uma divisão simples sem ter de substituir todo o mobiliário.

4. Bola de espelhos: regresso cintilante para salas e festas em casa partilhada

A bola de espelhos - inseparável de clubes, discotecas e pistas de dança a brilhar - também está a viver uma pequena renascença. As pesquisas aumentam 116 por cento. Em vez de ficar restrita a espaços nocturnos, volta a aparecer pendurada em salas, cozinhas de casas partilhadas ou até ginásios em casa.

O objecto remete para o auge da era disco, quando a música era mais do que entretenimento: era um acontecimento social. As pistas de dança funcionavam como pontos de encontro para grupos muito diferentes, de comunidades queer a frequentadores de festa mais mainstream.

Hoje, muita gente usa a bola de espelhos com intenção irónica como peça decorativa - e acaba por perceber como alguns reflexos de luz bastam para transformar o ambiente numa “mini-pista”. Uma combinação particularmente popular é: bola pequena, foco LED e uma coluna Bluetooth portátil.

5. Mala com franjas: herança boho entre romantismo hippie e cultura de protesto

O quinto objecto liga directamente ao universo hippie e boho dos anos 70: a mala com franjas. Na Vinted, as pesquisas aumentam cerca de 20 por cento. A estética é imediata: camurça ou imitação de pele, franjas longas e, muitas vezes, tons castanhos, conhaque ou cores terra.

A mala evoca folk, espírito de festival e vontade de partir - mas também uma posição política. Nos anos 70, acessórios deste tipo acompanham manifestações contra a Guerra do Vietname, lutas por direitos civis e uma consciência ambiental em crescimento.

"Quem usa uma mala com franjas recupera, sem dar por isso, uma mensagem antiga: contra a uniformidade, a favor de caminhos próprios."

Nos visuais actuais, aparece frequentemente com vestidos compridos, botas estilo cowboy, coletes de crochet ou calças flare. Para muitas compradoras, é a peça de afirmação que transforma um conjunto básico num look boho num instante.

Porque é que o vintage está a puxar tanto

A nova atracção pelo vintage dos anos 70 nasce de vários factores que se reforçam entre si. Por um lado, cresce a preocupação com sustentabilidade: comprar em segunda mão poupa recursos, reduz lixo e funciona como recado contra a moda descartável. Por outro, as peças antigas oferecem qualidade e personalidade que muita produção em massa de hoje não consegue replicar.

Muitas pessoas dizem sentir que umas boas calças à boca de sino bem conservadas dos anos 70 ou 80 parecem mais “sérias” do que umas calças baratas novas. A espessura do tecido, as costuras, a lavagem - tudo soa mais autêntico. O mesmo raciocínio surge no mobiliário e na iluminação: madeira maciça e metal durável superam aglomerado e plástico.

Plataformas como a Vinted enquanto “cofre de tesouros”

Nesse contexto, a Vinted funciona como um enorme mercado onde aparecem achados de sótãos de toda a Europa. Com pesquisa específica, é possível encontrar:

  • calças à boca de sino originais de marcas de denim conhecidas
  • colecções de discos vindas de heranças
  • candeeiros de design que, de outra forma, estariam apenas em lojas vintage
  • acessórios com pátina real em vez de um “efeito usado” artificial

A pesquisa exige tempo, mas compensa com peças únicas que não se veem repetidas em todas as ruas comerciais. Para utilizadores mais novos, o lado da “caça” tem encanto próprio: encontrar aquele objecto perfeito que ninguém do grupo de amigos tem.

Como usar o estilo anos 70 de forma inteligente

Quem quer aderir ao visual não precisa de mergulhar a vida inteira no retro. Normalmente, resulta melhor escolher pontos de destaque. Alguns exemplos:

  • No dia-a-dia: calças à boca de sino com t-shirt branca simples, mais ténis ou botins.
  • Na sala: sofá neutro e um candeeiro-cogumelo colorido como peça central.
  • Para festas: bola de espelhos pequena, foco de luz colorida e uma playlist de funk e disco.
  • Para festivais: mala com franjas com calções de ganga, top de crochet e botas cowboy.

O segredo está no equilíbrio: um único elemento retro forte tende a parecer mais contemporâneo do que um look completo, que facilmente cai no registo de festa à fantasia.

Nostalgia, sustentabilidade, identidade: porque é que os anos 70 vão ficar

O boom actual dos anos 70 não se explica apenas por memórias bonitas de “outros tempos”. Muitas pessoas procuram objectos com carácter, feitos para durar e com história. É isso que o verdadeiro vintage oferece - e plataformas como a Vinted tornam esse acesso simples, a poucos cliques.

A nostalgia junta-se a um consumo mais sustentável e ao desejo de individualidade. Quem hoje põe um vinil a tocar, lê à luz de um candeeiro-cogumelo ou anda pela cidade de calças à boca de sino não está apenas a comprar um produto. Está a escolher conscientemente um certo modo de estar, com raízes nos anos 70, mas que encaixa surpreendentemente bem em 2026.

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