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Massa: quantas vezes por semana é aceitável e em que altura do dia

Mulher a comer refeição saudável com frango grelhado, macarrão, grão-de-bico e legumes numa mesa.

As massas são, para muitos, um verdadeiro conforto: resolvem um jantar em minutos e fazem parte do repertório de inúmeras famílias. Ao mesmo tempo, carregam a fama de “engordar”. Daí a dúvida, bastante comum: quantas vezes por semana é aceitável comer pasta sem “mexer” com a barriga e com o açúcar no sangue? E será que faz diferença servi-la ao almoço ou ao jantar?

Com que frequência por semana faz sentido comer massa

Há um consenso surpreendente entre especialistas em nutrição clínica: dentro de uma alimentação equilibrada, inspirada na dieta mediterrânica, é possível pôr massa no prato mais vezes do que durante anos se fez crer.

“Para adultos saudáveis, são possíveis cerca de quatro a cinco pratos de massa por semana - desde que a quantidade e os acompanhamentos estejam correctos.”

O ponto-chave não está tanto na frequência, mas sim em três aspectos:

  • Tamanho da porção: para a maioria dos adultos, bastam 70 a 80 gramas de massa seca.
  • Acompanhamentos: legumes, leguminosas e componentes ricos em proteína equilibram o prato.
  • Tipo de preparação: molhos carregados em natas e porções XXL descompensam facilmente a conta final.

Quem se mexe muito, faz trabalho físico ou pratica desporto com regularidade pode aumentar ligeiramente a quantidade em dias mais activos. Já pessoas com diabetes prévia, excesso de peso marcado ou alterações metabólicas devem ajustar doses e frequência em conjunto com a sua médica ou com um nutricionista.

A massa engorda mesmo?

A reputação negativa raramente vem da massa em si, mas do que costuma chegar com ela ao prato. A massa simples é, sobretudo, hidratos de carbono complexos com alguma proteína. O organismo utiliza-a como fonte de energia - tal como acontece com pão ou arroz.

A situação torna-se mais delicada quando vários factores se acumulam:

  • porções muito grandes
  • muita manteiga, natas, queijo gordo ou enchidos
  • massa branca com pouca fibra e quase sem legumes
  • pouco movimento no dia a dia

Quando, pelo contrário, a massa é “bem montada”, o resultado muda por completo. Um prato com muitos legumes, feijão, lentilhas ou grão-de-bico e uma colher de sopa de azeite sacia por mais tempo. Assim, diminui a probabilidade de ir buscar um snack duas horas depois.

“A massa não engorda automaticamente - só se torna um problema com molhos pesados e porções demasiado grandes.”

Almoço ou jantar - quando a massa encaixa melhor?

Por tradição, a dose mais generosa de massa tende a aparecer ao almoço. E há uma razão lógica: os hidratos de carbono fornecem energia rápida, que ao longo do dia pode ser “gasta”.

Argumentos a favor da massa ao almoço

  • Mais tempo em actividade: o corpo tem várias horas para aproveitar essa energia.
  • Menos fome fora de horas: um prato de massa equilibrado ajuda a evitar a quebra do meio da tarde.
  • Mais tolerância para molhos substanciais: versões mais elaboradas com peixe ou carne costumam ser mais fáceis de digerir durante o dia.

Ainda assim, um prato de massa ao jantar não tem de ser proibido. Muitas pessoas toleram melhor uma massa leve à noite do que uma refeição pesada à base de carne.

Quando a massa ao jantar pode ser uma boa opção

  • Acompanhamento leve: muitos legumes, um pouco de peixe ou leguminosas, pouco queijo
  • Porção mais pequena: mais perto de 60 do que de 80 gramas de massa seca
  • Hora de refeição mais cedo: idealmente duas a três horas antes de deitar

Quem come tarde, faz montanhas de massa com molho de natas e depois fica apenas no sofá tende a notar isso mais depressa na balança - aqui, não é só a massa: o estilo de vida no seu conjunto também conta.

Como transformar a massa num prato equilibrado

O segredo está nas combinações. Com alguns ajustes simples, um prato “vazio” de hidratos de carbono torna-se uma refeição completa.

Componentes para um prato de massa mais inteligente

  • Legumes: pelo menos metade do prato - por exemplo, curgete, brócolos, espinafres, tomate, beringela.
  • Proteína: peixe, marisco, leguminosas, um pouco de carne magra ou tofu.
  • Gorduras saudáveis: azeite, alguma quantidade de frutos secos ou sementes, pouco queijo curado.
  • Temperos em vez de natas: ervas aromáticas, alho, malagueta e raspa de limão dão sabor sem “bomba” calórica.

Combinações possíveis no dia a dia:

Prato Vantagem
Massa com curgete e salmão Proteína e ácidos gordos ómega-3, além de muitas vitaminas
Massa integral com grão-de-bico e tomate Rica em fibra, saciedade prolongada, totalmente vegetal
Massa com brócolos, alho e azeite Simples, leve, rica em compostos bioactivos de origem vegetal
Massa com ragù de legumes e pouco parmesão Muito volume, relativamente poucas calorias

“Quanto mais colorido for o prato de massa, melhor fica o perfil de nutrientes - e menor pode ser a quantidade de massa.”

Que tipo de massa é mais favorável para a figura e para a saúde?

A escolha da variedade influencia o que acontece no organismo. Nem todas as massas se comportam da mesma forma.

  • Massa integral: tem mais fibra, vitaminas e minerais, faz o açúcar no sangue subir mais lentamente e mantém a saciedade por mais tempo.
  • Massa de leguminosas: versões de lentilhas, ervilhas ou grão-de-bico fornecem muita proteína e podem interessar a quem quer reduzir o consumo de carne.
  • Massa clássica de trigo duro: tende a ser bem tolerada e tem um efeito intermédio no açúcar no sangue - em quantidade moderada, é perfeitamente aceitável.

Outro detalhe relevante é o tempo de cozedura: massa cozinhada al dente costuma pesar menos no açúcar no sangue do que massa muito cozida. O corpo demora mais a quebrar o amido, o que pode atenuar o pico de insulina.

Como a massa pode até ajudar a sentir-se melhor

Muita gente reconhece isto no quotidiano: depois de um prato de massa, tudo parece ficar um pouco mais calmo. Não se trata apenas de nostalgia da infância; há também bioquímica. Os hidratos de carbono facilitam a entrada do aminoácido triptofano no cérebro. A partir do triptofano, o corpo produz serotonina - um mensageiro químico associado ao humor e à sensação de tranquilidade.

Isso não significa que a massa deva ser usada como “antidepressivo”. Se, em períodos de stress, cada momento de frustração for respondido com um prato de esparguete, é fácil cair em padrões pouco saudáveis. Ainda assim, fica a ideia: uma porção bem doseada de massa, integrada numa alimentação equilibrada, pode saber bem e fazer bem - sem culpa.

Quando é melhor ter mais cuidado

Há situações em que convém gerir a massa com mais atenção, como:

  • doença celíaca diagnosticada ou intolerância ao glúten marcada (neste caso, são necessárias alternativas adequadas)
  • diabetes não controlada, com valores de glicemia muito variáveis
  • obesidade em combinação com muito pouca actividade física
  • determinadas doenças gastrointestinais em fases agudas

Nestes cenários, a orientação individual costuma compensar. Muitas vezes, é possível encontrar quantidades e tipos apropriados, em vez de riscar a massa por completo. Em especial, versões integrais e de leguminosas, quando bem utilizadas, podem melhorar a saciedade e ajudar a controlar melhor o peso.

Para a maioria das pessoas saudáveis, a regra prática é simples: se escutar os sinais do corpo, cozinhar sobretudo comida fresca e não “afogar” cada prato em molho de natas, pode desfrutar de massa várias vezes por semana - sem dramas, sem dogmas e com boa consciência.

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