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3 tesouros vintage no sótão: Levi’s 501, trenchcoats Burberry e casacos Tangzhuang que valem dinheiro

Homem ajoelhado segura calças de ganga à frente de uma mala aberta com roupas num quarto com chão de madeira.

Algumas peças entre os anos 70 e o início dos anos 2000 tornaram-se, hoje, verdadeiras pequenas máquinas de fazer dinheiro.

Quem anda a remexer em caixas de mudança ou a dar uma volta pelo sótão para destralhar deve olhar com mais atenção. No meio de blusas amareladas e caixas de sapatos amolgadas, aparecem por vezes artigos que coleccionadores, fãs de vintage e revendedores disputam com força. Neste momento, o mercado está especialmente focado em três peças de roupa - e o mais curioso é que continuam, muitas vezes, guardadas sem grande destaque em casas comuns.

Boom do vintage: porque é que a moda antiga, de repente, dá lucro

Nos últimos anos, o mercado internacional de moda em segunda mão e vintage disparou. Em 2024, o volume ronda os 40 mil milhões de euros, e as previsões apontam para quase 115 mil milhões de euros até 2034. Ou seja, a procura não é um pico passageiro - e não cresce apenas porque as pessoas querem poupar.

Há vários factores por trás desta tendência:

  • Nostalgia: peças dos anos 70, 80 e 90 voltaram a estar no centro das atenções.
  • Qualidade: muitos artigos antigos foram feitos com mais robustez do que a fast fashion actual.
  • Raridade: alguns modelos já não são produzidos e só existem no mercado em segunda mão.
  • Sustentabilidade: compradores mais jovens optam cada vez mais por segunda mão em vez de comprar novo.

"Em resumo: aquilo que antes era gozado como ‘fora de moda’ pode hoje transformar-se numa peça de colecção muito desejada - com preços de venda surpreendentes."

Entre as inúmeras categorias, destacam-se actualmente três tipos de peças: certos modelos de jeans, trenchcoats clássicos de grandes marcas e casacos festivos de seda com inspiração oriental.

Os três tesouros de sótão que agora rendem a sério

1. Levi’s 501 antigas - sobretudo anteriores a 1985

O clássico dos clássicos no mundo das calças de ganga: as Levi’s 501. Venderam-se aos milhões, foram usadas até à exaustão e, muitas vezes, passaram de geração em geração. Ainda assim, nem todas as 501 têm valor elevado. O que está a ser mais procurado são os modelos produzidos antes de 1985.

Consoante o estado, estas calças podem render entre cerca de 150 e 500 euros. O interesse sobe quando se trata de exemplares mais antigos com sinais específicos de idade e de um tipo de fabrico particular.

Pontos a confirmar:

  • Etiqueta: uma pequena etiqueta vermelha em que o “Levi’s” tem um “E” grande (“Big E”) indica modelos anteriores a 1971 - muito cobiçados.
  • Made in USA: sinal de produção mais antiga e, muitas vezes, de maior durabilidade.
  • Selvedge-Denim: na costura interior, uma ourela limpa e densa - típica de uma tecelagem de qualidade.
  • Algodão mais pesado: o tecido parece espesso e compacto, não mole.

O estado da peça pesa muito no preço: uma aparência usada com desgaste autêntico pode ser valorizada, mas buracos em zonas problemáticas ou partes muito deformadas/descaídas fazem o valor cair de forma clara.

2. Trenchcoat clássico de marcas de luxo - antes de 1990

Outro grande vencedor do universo vintage são os trenchcoats de alta qualidade de marcas de luxo conhecidas, como a Burberry (ou casas semelhantes). O que mais se procura são, sobretudo, peças da era anterior a 1990.

Em bom estado, estes casacos atingem com regularidade 300 euros ou mais. No caso de versões particularmente antigas ou raras, num tamanho atractivo e com detalhes originais, os valores podem subir bastante - especialmente em plataformas especializadas ou em leilões.

Sinais importantes de um trenchcoat com qualidade:

  • Etiqueta de marca de produção antiga, com indicação do país de origem (por exemplo, Inglaterra, Itália).
  • Forro de boa qualidade, muitas vezes com o padrão típico da marca, bem aplicado e com acabamento limpo.
  • Algodão pesado e denso ou gabardine firme.
  • Botões sólidos, e não botões leves de plástico.

"Os trenchcoats beneficiam muito da actual vaga de ‘Quiet Luxury’: clássicos discretos e intemporais em vez de logótipos chamativos."

3. Casacos de cetim em estilo Tangzhuang - o sucesso inesperado

O terceiro achado surpreende muita gente: casacos festivos com corte inspirado no Oriente, muitas vezes em cores fortes e cetim brilhante. A estética aproxima-se do estilo tradicional Tangzhuang, frequentemente com gola subida e os típicos fechos em nós.

Durante anos, era comum estas peças serem rotuladas como “disfarce” em lojas de segunda mão e vendidas a preços baixos. Hoje, ganharam popularidade - sobretudo em comunidades online e em plataformas como a Vinted ou a Depop. As pesquisas por termos como “casaco vintage chinês” ou “casaco de seda” aumentaram claramente nos últimos anos.

O que observar nestes casacos:

  • Material: “100 % seda” na etiqueta é uma grande vantagem.
  • Acabamentos: forro bem aplicado, costuras firmes.
  • Detalhes: gola subida (gola mandarim), botões decorativos em nós (Pankou), bordados densos e não demasiado uniformes.

Cores chamativas como azul-tinta, verde-esmeralda ou vermelho intenso, combinadas com bordados elaborados, têm procura. O visual está especialmente em alta quando o casaco é usado aberto por cima de uma t-shirt branca simples e com jeans ou calças cargo - fica menos “fantasia” e mais peça de afirmação.

Como perceber se a sua peça vale mesmo dinheiro

Para lá da marca, o que conta é o conjunto. Hoje, os compradores analisam com detalhe as fotografias, os materiais e os acabamentos. Quem quiser avaliar com seriedade se compensa vender deve seguir um processo metódico.

  • Limpe bem a peça, mas evite tratamentos agressivos.
  • Inspeccione etiquetas, fechos, botões e o interior/acabamentos.
  • Fotografe à luz do dia, de vários ângulos.
  • Nas plataformas maiores, procure artigos já vendidos (não apenas anúncios activos) com características semelhantes.

Quando se trata de peças de luxo com aspecto realmente valioso, muitas vezes vale a pena levar a um vendedor de vintage com experiência ou a uma casa de leilões. Profissionais conseguem estimar valores e detectar falsificações muito mais depressa.

Onde vender - e que plataforma faz mais sentido para cada peça

Nem todas as plataformas funcionam bem para o mesmo tipo de artigo. Colocar um anúncio “à pressa” pode significar vender muito abaixo do valor.

  • Vinted / Depop: excelente para peças com apelo de tendência, como Levi’s 501 antigas ou casacos de seda em alta; aqui contam o styling, as fotos e a narrativa.
  • Vestiaire Collective: focada em luxo; boa opção para trenchcoats de marcas como a Burberry.
  • eBay: útil para verificar preços reais através de “artigos vendidos” e também para alcançar um público amplo.
  • Lojas vintage locais ou lojas à comissão: menos trabalho, mas normalmente com um retorno um pouco inferior, porque o comerciante fica com parte.

"Quanto melhor estiverem documentados a origem, o material e a idade, maior a probabilidade de atrair compradores sérios e conseguir preços justos."

Dicas práticas: testar o estado, confirmar o material, evitar erros

Sobretudo em casacos antigos de lã, malhas ou tecidos de forro, surge muitas vezes a dúvida: é lã verdadeira, seda ou afinal sintético? Alguns especialistas recorrem a um teste controlado com chama numa fibra minúscula: fibras animais, como lã ou pêlo, libertam um cheiro típico a cabelo queimado e desfazem-se numa cinza esfarelada. Ainda assim, este teste deve ficar mesmo nas mãos de quem tem experiência e deve ser feito com cuidado e boa ventilação.

Erros frequentes de vendedores sem experiência:

  • Fotografias desfocadas ou escuras.
  • Falta de imagens de detalhe (etiquetas, costuras, botões).
  • Indicação errada do tamanho (os tamanhos antigos muitas vezes vestem mais pequeno).
  • Esconder defeitos - o que acaba por gerar devoluções e más avaliações.

Porque é que vale especialmente a pena espreitar o sótão agora

A moda funciona por ciclos. Neste momento, tudo - das calças à boca de sino ao trenchcoat - está a viver uma nova fase de popularidade. Ninguém sabe quanto tempo este ciclo vai durar, mas, hoje, há compradores a competir por peças autênticas, enquanto a roupa nova nas lojas ao lado desperta bem menos emoção.

Quem actua a tempo ganha dos dois lados: liberta espaço no guarda-roupa e ainda vê a conta bancária agradecer. Em particular, a geração que foi adolescente ou jovem adulta entre os anos 70 e 90 muitas vezes guardou, sem se aperceber, peças valiosas - ou herdou-as dos pais. Por isso, uma verificação rápida e crítica a pilhas de jeans antigas, cabides de casacos ou caixas de “coisas de Carnaval” pode, literalmente, compensar.

Para leitores mais jovens, pode valer a pena passar pelos armários dos avós. Não é raro estarem lá os casacos e as calças “lendárias” que hoje aparecem em algumas lojas da moda alternativa com etiquetas de três dígitos. Com algum tacto, dá para rever essas peças em conjunto - se ficam na família ou seguem para venda passa a ser uma decisão muito pessoal.

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