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Arrancar cabelos brancos: porque este impulso pode ter consequências

Mulher a pentear o cabelo à frente de um espelho numa casa de banho com planta no balcão.

Mas este impulso pode trazer consequências.

Um pelo prateado junto à têmpora, outro na nuca, mais um bem no topo da cabeça - e a mão vai logo à pinça. Durante décadas repetiu-se a frase: "Se arrancares um cabelo branco, nascem dois." Não é bem assim. Ainda assim, a ideia de puxar não é inofensiva.

Porque é que o cabelo fica grisalho

À medida que os anos passam, o nosso corpo vai funcionando de forma ligeiramente diferente. Isso inclui as raízes do cabelo. Dentro dos folículos pilosos existem os chamados melanócitos. São estas células que produzem melanina - o pigmento que determina se o cabelo é louro, castanho, preto ou ruivo.

Com o tempo, estas células vão perdendo capacidade. Aos poucos, deixam de produzir melanina. O fio cresce então sem pigmento e passa a parecer grisalho ou branco.

  • Em muitas pessoas, os primeiros cabelos brancos surgem entre os 35 e os 45 anos.
  • A genética pesa muito: há quem fique grisalho aos 25 e quem só note mudanças aos 60.
  • Stress, algumas doenças ou estados de carência podem acelerar o processo.

Quando um folículo fica, por assim dizer, "programado" para produzir cabelo branco, normalmente não volta de forma duradoura à cor anterior. Em muitos casos, a alteração é definitiva.

O mito: arrancar um faz nascerem dois

A crença mais popular diz que, ao puxar um cabelo branco, aparecem dois no lugar. A imagem é forte e ficou na memória colectiva. Do ponto de vista biológico, porém, não faz sentido.

"Cada folículo piloso só consegue produzir um único cabelo - não dois ou três ao mesmo tempo."

Se um fio é arrancado, naquele ponto apenas o mesmo folículo pode voltar a produzir cabelo. Não existe ali um "canal de reserva" que, de repente, passe a gerar um segundo fio.

Porque é que o mito continua a circular? Há várias explicações:

  • Quem repara no primeiro cabelo branco, quase sempre já tem outros na mesma zona - apenas ainda não se destacavam.
  • Enquanto o fio arrancado volta a crescer, é comum que novos cabelos brancos à volta se tornem visíveis.
  • O cérebro liga os dois acontecimentos - arrancar e ver mais grisalhos - e constrói uma falsa relação de causa e efeito.

Na prática, depois de arrancar acontece apenas uma coisa: o mesmo folículo inicia um novo ciclo de crescimento. E o novo fio, com elevada probabilidade, voltará a ser branco, porque as células de pigmento já estão fragilizadas ou inactivas.

O que acontece no folículo quando se arranca um cabelo

Um cabelo não é apenas um "fio" que se pode puxar da pele sem consequências. Ele está ancorado em profundidade e inserido numa pequena estrutura bem vascularizada. E é precisamente aí que está o problema.

Ao puxar com força, podem ocorrer situações como:

  • o fio partir-se pouco acima da raiz;
  • o cabelo inteiro, incluindo a raiz, ser arrancado à força;
  • no pior dos cenários, o próprio folículo ser rasgado ou ficar danificado de forma permanente.

Pequenas gotículas de sangue no couro cabeludo mostram que não foi só o cabelo a sofrer, mas também o folículo.

Quando este tipo de agressão se repete, aumenta o risco de que alguns folículos deixem, a certa altura, de conseguir formar novos fios.

Risco de queda: quando puxar acaba por criar uma zona falhada

Dermatologistas reconhecem um quadro clínico específico provocado por tração ou pressão repetidas sobre o cabelo: a chamada alopécia de tração.

É frequente observá-la em pessoas que, durante anos, usam penteados muito puxados - por exemplo, tranças extremamente apertadas, coques bem esticados ou extensões muito tensas. Mas arrancar fios repetidamente também entra neste tipo de agressão mecânica.

Possíveis consequências de puxar constantemente:

  • afinamento em zonas ao longo da risca ou nas têmporas;
  • pequenas falhas irregulares no cabelo;
  • em casos graves, áreas calvas permanentes, porque os folículos cicatrizam.

Muita gente lembra-se de algo semelhante: quem, nos anos 90, afinou demasiado as sobrancelhas à pinça, hoje nota que ali o pelo quase não volta a crescer com força. No couro cabeludo pode acontecer exactamente o mesmo.

Outros perigos: inflamações e pêlos encravados

Um couro cabeludo lesionado não é apenas um tema estético. Qualquer ferida, mesmo pequena, pode tornar-se uma porta de entrada para microrganismos.

Dermatologistas referem, com alguma frequência, estes problemas após puxar repetidamente:

  • vermelhidão e irritação à volta das aberturas dos folículos;
  • pequenas pústulas por inflamações bacterianas;
  • formação de cicatrizes na zona dos folículos;
  • cabelos encravados, quando o novo fio não encontra caminho para sair.

Quem insiste em arrancar sempre nas mesmas zonas cria exactamente aí as condições para o cabelo crescer pior - ou deixar mesmo de crescer.

Em particular, pessoas com pele sensível ou tendência para eczemas costumam reagir com mais intensidade a este tipo de agressão do que imaginam.

O que fazer em vez de arrancar

A boa notícia é simples: ninguém tem de lidar com cabelos brancos sem opções, e a "solução" da pinça, à força, está longe de ser a única saída. Há várias estratégias, dependendo do estilo e da forma como cada pessoa encara o envelhecimento.

1. Cor em vez de força

Se os primeiros fios prateados causam desconforto, a coloração pode ser uma alternativa. Vale a pena comparar possibilidades:

  • Tonalizantes: suaves, saem com as lavagens, agridem menos o cabelo e funcionam bem quando ainda há poucos brancos.
  • Colorações permanentes: cobrem melhor, mas afectam mais a estrutura do fio.
  • Madeixas: ajudam a "dissolver" visualmente os cabelos brancos no conjunto.
  • Sprays ou pós para a raiz: disfarçam de forma temporária, úteis em fases de transição.

Importante: quem pinta com regularidade deve dar pausas ao couro cabeludo e escolher produtos de qualidade. Aconselhar-se num salão de cabeleireiro ajuda a evitar danos desnecessários.

2. Ajustar o penteado com inteligência

O corte também pode fazer diferença. Alguns exemplos:

  • Um corte mais curto e em camadas distribui melhor os fios brancos.
  • Uma risca ligeiramente deslocada esconde melhor os prateados mais visíveis junto à raiz.
  • Caracóis e ondas tornam mais suave a mistura entre zonas grisalhas e zonas com cor.

Se a tendência for usar penteados muito esticados para trás, vale a pena experimentar versões mais soltas - e, de quebra, poupar as raízes.

3. Treinar a aceitação - cabelo branco como elemento de estilo

Cada vez mais pessoas optam conscientemente por mostrar os cabelos brancos. Nos homens, isso é aceite há muito; e, hoje, o "Silver Hair" também é visto nas mulheres como um visual próprio.

Cabelos grisalhos ou brancos bem cuidados podem parecer muito elegantes. Para isso, ajudam: corte regular, cuidados adequados, protecção solar e, se necessário, produtos para evitar tons amarelados.

Porque os cabelos brancos não voltam a ter cor

Muitas pessoas procuram um "milagre" que devolva cor ao cabelo branco de forma duradoura, sem se limitar a cobrir o fio por fora. Até agora, a investigação não disponibiliza nada desse tipo para uso quotidiano.

A razão é directa: quando os melanócitos no folículo perdem a função ou morrem, falta a capacidade de produzir pigmento. É possível pintar o cabelo que já existe, mas não é possível "reiniciar" facilmente, com um comprimido ou um sérum, um sistema de pigmentação totalmente funcional.

Alguns estudos analisam a influência do stress oxidativo, de certas vitaminas ou de hormonas no processo de embranquecimento. Há relatos pontuais em que um embranquecimento fortemente associado ao stress pode regredir parcialmente quando o factor desencadeante desaparece. No caso típico do grisalho ligado à idade, porém, não existe até hoje um caminho de regresso comprovado.

Dicas práticas para o dia a dia com os primeiros cabelos brancos

Se os primeiros fios prateados acabaram de aparecer, estas regras simples podem ajudar:

  • Guardar a pinça - puxar uma vez não é o fim do mundo, mas fazê-lo por rotina é.
  • Se o desconforto ao espelho for grande, marcar uma consultoria de imagem no cabeleireiro.
  • Usar produtos de cuidado suaves, que não irritem o couro cabeludo.
  • Garantir uma boa ingestão de proteína, ferro, zinco e vitaminas do complexo B - não para impedir o grisalho, mas para fortalecer o cabelo no geral.
  • Não entrar em pânico com cada novo fio branco - eles vão aparecer de qualquer forma, com ou sem pinça.

Cabelos brancos são um sinal normal do envelhecimento - já falhas e zonas calvas por arrancar repetidamente não são.

No fim, a questão não é se os cabelos brancos vão surgir, mas sim como lidar com eles. Quem os aceita ou os disfarça de forma inteligente protege os folículos e reduz o risco de falhas precoces. Quem os remove sempre à força está a tratar um detalhe estético com um método que, a longo prazo, pode deixar danos bem mais visíveis.


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